Atualmente, o Mercosul é composto por cinco Estados Partes (membros plenos), sete Estados Associados e dois Estados Observadores. Nesse cenário, a Venezuela foi suspensa do bloco econômico em dezembro de 2016 por descumprir normas comerciais e técnicas do bloco. Porém, o governo de Donald Trump quer interferir nas decisões do processo de integração regional por meio da nação sul-americana.
Em recente encontro com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do Paraguai, Santiago Peña Palacios, propôs a iniciação de um processo de reintegração da Venezuela no bloco econômico. A princípio, o petista garantiu sinal verde, mas a tramitação pode não ser facilitada. Isso porque chegou ao conhecimento do Mercosul que a ideia partiu de Washington (EUA).

A desconfiança surgiu há meses, quando, durante uma entrevista coletiva, um dos ministros do governo paraguaio confirmou que a Venezuela voltaria ao Mercosul ainda no primeiro semestre de 2026. Em março, em reunião da COP15, o presidente do Paraguai consultou Lula sobre o possível retorno da Venezuela ao bloco econômico.
Embora não esteja descartada a reintrodução da Venezuela no Mercosul, a tendência é que o processo não seja avaliado no mandato de Donald Trump. Isso porque seria um recado negativo de que o sequestro de Nicolás Maduro e a ingerência direta de Washington em assuntos internos dos países da região pavimentaram o caminho para normalizar as relações de um país com todo o bloco.
Sinais de alerta são ligados
Em um primeiro momento, o governo brasileiro enxerga de forma positiva o retorno dos venezuelanos ao bloco, mas o Planalto ressalta a necessidade de serem debatidos tópicos específicos. Em resumo, para que não haja entraves ideológicos, é imprescindível alinhar planos emergenciais de saúde, necessidades energéticas, investimentos em infraestrutura e o combate ao crime organizado.
Por outro lado, internamente, o Itamaraty também teme o pior. Isso porque as autoridades desconfiam de que o presidente dos Estados Unidos utilizará a Venezuela para fortalecer o grupo de governos de direita no bloco, como Argentina e Paraguai, em votações importantes. No entanto, os diplomatas brasileiros reforçam que a discussão está longe de dar ao país poder de voto no Mercosul.
Por que a Venezuela foi suspensa do bloco?
Em 2 de dezembro de 2016, os membros efetivos (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai) anunciaram a suspensão da Venezuela do Mercosul por prazo indeterminado. O documento que anunciava a dispensa ressaltava que o país deixou de cumprir com os compromissos assumidos na sua adesão ao Mercosul. Em razão disso, perdeu todos os direitos de participação.
Posteriormente, em agosto de 2017, o país sofreu uma sanção ainda mais grave e foi suspenso por tempo indeterminado por “ruptura da ordem democrática”, com base no Protocolo de Ushuaia. Na prática, o mecanismo foi uma resposta à repressão de protestos, falta de diálogo com a oposição e à criação da Assembleia Constituinte.






