Domingo, 26 de Maio de 2019
BALANÇO

Ato pró-Educação reúne cerca de dez mil pessoas em Manaus

Manifestação aconteceu na tarde desta quarta-feira, no Centro de Manaus, acompanhando movimento nacional que ocorreu em todos os Estados e Distrito Federal



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(Foto: Márcio Silva)
15/05/2019 às 19:17

Milhares de pessoas lotaram no fim da tarde desta quarta-feira (15) as avenidas Eduardo Ribeiro, Epaminondas, Sete de Setembro e as praças da Saudade e do Congresso, no Centro Histórico de Manaus, em tom de protesto contra os contingenciamentos orçamentários de institutos e universidades federais do Brasil. Os atos públicos contra a decisão do governo federal também se estendem hoje em outros 25 estados e no Distrito Federal.

Estudantes do Ensino Técnico, Médio e Superior, além de professores, servidores e pesquisadores amazonenses militaram contra a paralisação de produções científicas e a precarização na infraestrutura dos centros de educação pública. Estimativas de que uma faixa entre 10 a 15 mil estiveram na passeata, que destacou exemplos de pesquisa benéficas para a sociedade que estão ameaçadas por falta de recursos. Em Parintins, também houve mobilização por parte de estudantes e professores. 

A estudante de Agronomia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Anne Caroline Gouvêa, 23, falou que "não se deve aceitar as mudanças calados. Vamos atrás dos nossos direitos de acesso à pesquisa e ensino de qualidade".

Já o estudante de Engenharia de Controle e Automação do Instituto Federal do Amazonas (Ifam), Rodrigo Henrique, 24, opinou que "a faculdade pública brasileira já vive de migalhas. Se congelar mais, vai sucatear. Ajudar a destruir o futuro dos estudantes que sonham em melhorar o País".

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Superior do Amazonas (Sintesam), 100% dos quase 1.500 professores associados usaram o dia para protestos. "No interior, soubemos que os próprios alunos impediram os trabalhos nas universidades que ainda quiseram funcionar. Nos cinco polos da Ufam e em todos os polos da UEA no interior também houveram movimentação", declarou a membra da direção executiva da entidade, Nelsa Soares.

Para ela, o engajamento marcado por estudantes de várias instituições, inclusive privadas, expõe a carência de políticas públicas na Educação e o quão negativo é o contingenciamento. "Você nunca mais tinha visto alunos na rua lutando pela causa. O governo tem que entender que a educação não é moeda de troca", defendeu.

Ela ainda estimou que em média, de 10 a 15 mil pessoas, participaram da manifestação. Diversas entidades sindicais e associações da categoria também participaram do ato. Representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam) reclamaram também pelo efeito sofrido na educação básica do Estado.

Professores de escolas públicas da Educação Infantil e Fundamental disseram que sempre trabalharam sem o direito das Horas de Tempo Pedagógico (HTP). "É um direito nosso que nos é negado. O prefeito, neste ano, tirou os professores de Educação Física, que era o único tempo que tínhamos para corrigir provas e o planejamento", disse um professor.

"Temos que levar trabalho para casa, sem compensar nenhuma hora", disparou outra docente. Para a presidente do Sindicato dos Professores da Universidade Estadual do Amazonas (SindUEA), Gimima Beatriz da Silva, o dia foi “em defesa da educação, e não de paralisação”.

"Temos faixas e cartazes expondo 'a liberdade de ensinar e aprender', e marchinhas ensaiadas. Alguns professores fizeram trabalho avaliativo de pôr frases de sociólogos em prol do fomento acadêmico em cartazes".

Em cima de um carro de som, o diretório de pós-graduandos da Ufam divulgou que aproximadamente 4 mil bolsas de iniciação científica foram cortadas. 

Mesmo em instituições estaduais, a falta de verbas irá prejudicar o andamento das atividades. O representante da Associação dos Pós-Graduandos da UEA, Paulo Holanda, reclamou que algumas bolsas que são usadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) vão atrasar descobertas da biodiversidade amazônica. 

“A Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas) não cosegue cobrir tudo. Há os serviços terceirizados, por exemplo, (diárias em hotéis, passagens, alimentação) que os pesquisadores usam quando viajam pelo interior do Estado. A gasolina, a logística é tudo caro. Fazer ciência na Amazônia é complexo e caro”, relatou. Ainda não há um levantamento oficial de quantas bolsas de incentivo e quantas pesquisas foram prejudicadas ou paralisadas no Amazonas.

Para ele, a ideia defendida pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) de que existem bolsas ociosas dentro das universidades não procede na prática. “Fazemos o remanejamento de bolsas paradas com outro programa que precisa. Isso que ele disse não é verdade”, continuou. 

A manifestação que ocorre em todas as universidades federais do país, é contra o anúncio do congelamento de 30% das despesas não obrigatórias das universidades federais, que coloca em risco inúmeras pesquisas, sem falar no cancelamento de centenas de bolsas para mestrado e doutorado. 

Cortes

As verbas, de acordo com a confirmação pelo Ministério da Educação (MEC) e Casa Civil, serão de 30%, no mínimo, nos custos discriminados, que basicamente são água, luz, internet, e investimentos em infraestrutura. Na Ufam, um total de R$ 38.048.452,00 serão congelados. O reitor, Sylvio Puga, disse que o Programa de Iniciação Científica (PIBIC) pode ser paralisado completamente, se o dinheiro não for desbloqueado até o fim de junho. O pagamento de professores e servidores da Ufam não foi atingido pela medida.

O reitor ainda ressaltou que o bloqueio de R$ 38 milhões não representa 30% do orçamento geral da universidade deste ano, que conta com R$ 720 milhões. Em decorrência a isto, ele explica que, se até os próximos dois meses o bloqueio continuar, a previsão é que até o fim do semestre letivo possa haver um remanejamento dos recursos para outras ações, para que o impacto do bloqueio seja o menor possível.

Repórter de A Crítica

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