A observação de que cães e gatos podem demonstrar preferência por uma das patas tem despertado a atenção de especialistas em comportamento animal. Já pensou se seu pet é destro ou canhoto? Conhecida como lateralidade, essa característica vai além de um detalhe curioso e pode oferecer indícios relevantes sobre como os pets percebem o ambiente e respondem a diferentes estímulos.
Pesquisas indicam que essa preferência não ocorre por acaso. Assim como nos seres humanos, a escolha por um lado do corpo está relacionada ao funcionamento dos hemisférios cerebrais, o que influencia diretamente aspectos emocionais e comportamentais dos animais.
Relação entre cérebro e comportamento
A lateralidade está ligada à divisão de tarefas entre os lados direito e esquerdo do cérebro. Em termos gerais, o hemisfério esquerdo tende a estar associado a respostas mais previsíveis e controladas, enquanto o direito atua em situações que exigem reações rápidas, como diante de ameaças ou estímulos inesperados.
Essa dinâmica se reflete no uso das patas. Animais que utilizam com maior frequência a pata direita, controlada pelo hemisfério esquerdo, costumam demonstrar maior estabilidade em situações do cotidiano. Por outro lado, aqueles que recorrem mais à pata esquerda podem apresentar maior sensibilidade a mudanças, ruídos e ambientes desconhecidos.
Ainda assim, especialistas destacam que a lateralidade não deve ser interpretada de forma isolada, mas sim como um dos vários elementos que ajudam a compreender o comportamento animal.

Impactos no temperamento e no dia a dia
A identificação da pata dominante pode ajudar a explicar por que alguns pets se adaptam com facilidade a novas situações, enquanto outros demonstram cautela ou nervosismo. Estudos sugerem que animais com preferência bem definida tendem a apresentar maior consistência comportamental.
Esse tipo de informação tem sido utilizado, inclusive, em contextos mais específicos, como na seleção de cães para funções que exigem equilíbrio emocional, a exemplo de cães-guia e de trabalho. Nesses casos, características como menor reatividade podem ser determinantes.
Nos gatos, embora as pesquisas ainda sejam menos numerosas, já foram observadas diferenças entre machos e fêmeas, indicando possíveis variações no comportamento exploratório e na interação com o ambiente.
Métodos simples permitem identificar a lateralidade
Apesar de muitos estudos utilizarem protocolos científicos padronizados, é possível adaptar algumas dessas práticas para o ambiente doméstico. A observação do comportamento do animal em situações cotidianas pode revelar padrões consistentes.
Entre os testes mais utilizados estão aqueles que envolvem brinquedos com petiscos, nos quais se observa qual pata o animal utiliza primeiro para manipular o objeto. Também é possível analisar movimentos ao subir degraus, alcançar alimentos ou interagir com brinquedos.
Para obter resultados mais confiáveis, o ideal é repetir essas observações diversas vezes, registrando os dados ao longo de dias diferentes. A predominância de um dos lados indica a lateralidade, enquanto a ausência de padrão sugere comportamento mais equilibrado entre as patas.
Compreender a lateralidade pode auxiliar tutores a adaptar melhor o ambiente e as atividades oferecidas aos pets. Ajustes em treinos, brincadeiras e até na rotina podem favorecer o conforto e reduzir situações de estresse.
Embora ainda existam lacunas a serem exploradas pela ciência, os estudos já disponíveis indicam que a preferência por uma pata está diretamente ligada à forma como o cérebro organiza respostas emocionais e comportamentais.







