Os Estados Unidos seguem no ímpeto de frear o avanço da China na corrida global pelo domínio do mercado de minerais estratégicos. Em meio a rivalidade acirrada, o país norte-americano passou a adotar uma estratégia ativa que visa garantir o acesso a recursos considerados essenciais para tecnologia e defesa: as chamadas terras raras.
A ação consiste no financiamento de 565 milhões de dólares (cerca de R$ 2,8 bilhões na cotação atual) à mineradora Serra Verde, responsável pela única operação ativa de terras raras no Brasil. O aporte foi conduzido pela U.S. International Development Finance Corporation (DFC) e permite aos estadunidenses influenciar o destino da produção.
Segundo especialistas da área, esse é um acordo inédito, que amplia o alcance da participação da nação norte-americana no setor de mineração brasileiro. Para além de uma iniciativa realizada no território brasileiro, trata-se de uma movimentação que integra diretrizes da política externa estadunidense voltada a reduzir a dependência da China.

EUA tentam bater de frente com a China
O movimento dos yankees não é por acaso. Hoje, a China é responsável por grande parte do processamento e fornecimento global de terras raras. Os chineses detêm nada menos que 49% das reservas globais e são seguidos pelo Brasil, com 23%.
A mina de Pela Ema, localizada em Goiás e explorada pela Serra Verde, é uma das poucas fontes de terras raras pesadas fora do domínio chinês. Essas reservas guardam insumos fundamentais para carros elétricos, equipamentos eletrônicos e sistemas militares.
Além do financiamento destacado anteriormente, o governo estadunidense apresentou ao Brasil no início do ano uma proposta de cooperação no setor que inclui discussões sobre preços mínimos, investimentos em refino e transferência de tecnologia.
O modelo proposto segue referências de outros acordos firmados com países como Austrália e Tailândia, sinalizando uma tentativa de consolidar parcerias duradouras e reposicionar o Brasil no centro dessa disputa geopolítica.






