O que nos interessa?

A semana passou assim, meio confusa. O que quer dizer tudo isso que os políticos falam na TV?

02/04/2022 às 07:57.
Atualizado em 01/04/2022 às 18:04

Imóvel comercial para aluguel na Cidade Nova (Gilson Melo)

A semana passou, passou tão cheia de notícias, de movimentações, de tensões... que na prática significaram nada. As dores, as dívidas, as dúvidas, a desesperança, a solidão cidadã ainda são as mesmas da semana retrasada, e da semana que a antecedeu. Pra que e pra quem tanta notícia? Para o trabalhador que se espreme no ônibus lotado, por horas, na Torquato? Pra você? Pra mim? Elas parecem ser para ninguém.

Vivemos uma espécie de entressafra entre o “fim” dos períodos mais trágicos e restritivos da pandemia e a entrada em uma normalidade que ainda é uma incógnita. O que passará a ser normal? Que conceitos levaremos desses dois anos à realidade diária? Ainda não sabemos. Lembro que, passada aquela primeira grave onda de 2020, havia estudos de toda espécie sobre como nos comportaríamos: faríamos viagens curtas, preferencialmente de carro, blá blá blá. Fizemos tudo ao contrário. O mesmo se repetiu em 2021.

Na dúvida e cheio de incertezas, eu observo. No prédio no Vieiralves, onde fica a academia que frequento, localizada no andar superior, havia seis operações comerciais, numa espécie de galeria. Resistiram guerreiras desde o início da pandemia. De duas semanas para cá o panorama se modificou: das seis, três fecharam e uma mudou de nome e proprietário. Boa localização, com vagas de estacionamento na frente, mas nada disso serviu de fiança.
No Vieiralves, um dos metros quadrados residenciais mais caros da cidade, expressiva área comercial e cultural, a oferta de imóveis comerciais já era significativa antes da pandemia. Agora salta aos olhos. Se a crise chegou ali, imagino em bairros mais periféricos. Parte do bairro foi recapeado, parte não. Algumas ruas foram raspadas, “arranhadas” para receber nova camada asfáltica, há pelo menos 3 semanas... e nada – permanecem descapeladas, arranhando quem por elas passa.

Li em algum lugar que a Prefeitura está avaliando o retorno da operação do serviço de estacionamento rotativo, o Zona Azul, para o bairro. Espero que eles avaliem com muita calma e perícia pois, ao contrário do que aconteceu no Centro da Cidade, o sistema no Vieiralves provocou, na implantação, um grande caos e a revolta de muitos dos empreendedores e dos clientes/ usuários. Queixas de toda ordem. E se a hora é de dificuldade, não é recomendado que se crie ainda mais dificuldades e obstáculos a quem já os tem de sobra.

A semana passou assim, meio confusa. O que quer dizer tudo isso que os políticos falam na TV? Muito pouco, quase nada. Continuamos pela metade. Um pé na pandemia, outro da normalidade; metade da rua asfaltada, a outra esburacada. Metade sem saber ao certo o que vai acontecer, a outra metade sem esperanças, sabendo que o que está ruim pode ficar pior. A única certeza é que falam muito, prometem muito, dizem que farão muito, mas parece que nós não fomos ouvidos para nada! Será que interessa nos ouvir? É assim mesmo? Vale a pena lembrar do que dizia o poeta, que parecia ouvir o que se passava em nossos corações: “Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos. As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei” . #Pensa

Assuntos
Compartilhar
Sobre o Portal A Crítica
No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.
Portal A Crítica© Copyright 2022Todos direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por