Um sonho feliz de cidade?

É como se a gente ficasse arrumando a beira, enquanto o centro afunda.

Orlando Câmara
Orlando Câmara
08/05/2021 às 11:05.
Atualizado em 24/03/2022 às 21:50

(Operação tapa-buracos na zona Centro-Oeste de Manaus)

Passei a semana pensando no quanto mediocrizamos a discussão sobre a cidade. Para onde a gente se vira o assunto gira em torno de asfalto, buracos, marombas para a enchente, falta d’água potável e trânsito. Seja nas conversas do dia-a-dia, na portaria do prédio, nos grupos de WhatsApp ou na mídia, reduzimos a cidade a assuntos primários, banais, revelando o quanto estamos carentes e empobrecidos.

Se essas são as pautas em destaque, seria lógico supor que os assuntos revelam as necessidades mais imediatas da cidade. Talvez seja assim mesmo, o que não deixa de ser uma tragédia que entrega nosso estado de quase miséria - abastecimento de água potável, saneamento básico, pavimentação decente das ruas.

Mas não deixa de chamar atenção que há coisas que não se encaixam: o transporte coletivo urbano, por exemplo, é muito falado; entretanto não se discute o sistema e sim as paradas de ônibus, ou a ausência delas! Parece absurdo, como se a gente ficasse arrumando a beira, enquanto o centro afunda.

Por mais que se concorde da importância etc&tal da lista de prioridades, porque atinge a maioria dos habitantes, cristalizar o debate das questões urbanas nas providências reativas para atender ao caos não leva a soluções. O buraco na rua fatalmente reaparecerá no próximo inverno manauara, as questões de água e saneamento sempre surgirão se as invasões urbanas não forem controladas e assim por diante...

É necessário pensar a cidade e seus caminhos a médio e longo prazo. Enxergar no futuro, planejar apontando para melhores cenários, superando fragilidades e corrigindo possíveis distorções. Se a gente se perder no dia-a-dia, estaremos tapando mais buracos no futuro, com bem menos recursos disponíveis. Simples assim!

Mas a quem cabe essa árdua tarefa de desafinar o coro dos contentes com o asfalto e com as inaugurações de ruas temporariamente sem buracos? Temos um poder constituído, delegado por voto democrático e é a ele que cabe a iniciativa, tanto ao Executivo Municipal, quanto ao Legislativo.

À Prefeitura cabe escapar da máquina trituradora da rotina urbana. Já ao Legislativo, bem... Ao Legislativo Municipal cabe, e de maneira urgente, estudar o tema, fazer aulas com especialistas de diferentes áreas, palestras fechadas e obrigatórias somente aos nobres vereadores. Porque, do contrário, se isso não acontecer, não haverá esperanças.

A verdade é que Manaus clama por projetos e soluções para além das deficiências aparentes. Quando acabar a pandemia, qual o planejamento para a cidade? Abrir tudo e deixar funcionar não é resposta, pelo menos não é resposta decente. Senhores eleitos, digam ao que vieram. Já está na hora. Esses primeiros quatro meses, principalmente do Legislativo, foram desastrosos. Até quando? #Pensa

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