Nos últimos dias, o apresentador da Rede Globo, Luciano Huck, foi duramente criticado após tornar público um posicionamento contrário ao Bolsa Família. Segundo o jornalista, o programa de transferência de renda colabora para o comodismo dos brasileiros diante da procura por empregos. No entanto, a realidade mostrou-se contrária.
O ministro do MDS (Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome), Wellington Dias, foi incisivo ao rebater as críticas de Huck à suposta dependência “eterna” dos indivíduos vulneráveis. Para colocar um ponto final na discussão, o representante da pasta esclareceu que, desde 2023, mais de 5,1 milhões de pessoas deixaram a assistência porque foram empregadas e passaram a ter renda.

Por consequência da abertura de novas oportunidades, milhares de brasileiros deixaram o Bolsa Família devido ao fato de terem superado o limite de renda imposto pelo programa. Curiosamente, Dias ainda reforçou que muitos dos ex-beneficiários passaram a trabalhar para microempresas cujos donos outrora foram assistidos pelo auxílio do Governo Federal.
Além disso, o ministro do MDS ressaltou que 7,1 milhões de membros de famílias estão empregados e outras 5,9 milhões têm um pequeno negócio, mas seguem dentro do programa. “E por que estão ainda no Bolsa Família? É porque a renda do trabalho ainda precisa ser complementada. Mas essas pessoas já estão trabalhando e produzindo”, explicou ao programa Bom Dia, Ministro, da ECB.
O que disse Luciano Huck?
Durante participação em evento que reuniu empresários no litoral de São Paulo, o apresentador do “Domingão” afirmou que o Bolsa Família não consegue romper o ciclo da pobreza de milhões de brasileiros. Segundo ele, os assistidos não têm vontade de sair do programa, o que os coloca eternamente na “base da pirâmide social”.
“[O Brasil] é muito ineficiente em todas as frentes. O prefeito da cidade de Senhor do Bonfim tem 56% da sua economia no Bolsa Família. O que acontece? Você não gera nenhum tipo de estímulo para que as famílias queiram sair do Bolsa Família. Na verdade, elas criam atalhos para ficar no programa de distribuição de renda, de proteção social”, declarou Huck.
Em contrapartida, segundo um estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas), cerca de 61% dos beneficiários de 2014 deixaram o programa até 2025. As saídas foram observadas principalmente nas faixas entre 15 e 17 anos (71,2%) e entre 11 e 14 anos (60,8%). No mais, adolescentes e maiores de 18 anos continuam recebendo o benefício caso a renda per capita da família permaneça insuficiente.






