Cotidiano

Amazonas desmatou área maior que o Iranduba em 2022

Lábrea, no sul do Amazonas, foi o município que mais desmatou em todo o país

acritica.com
12/06/2023 às 19:13.
Atualizado em 12/06/2023 às 19:13

(Foto: Divulgação)

Pelo segundo ano consecutivo, o Amazonas é o segundo estado que mais desmatou no Brasil. Em 2022, foram 274.184 hectares de floresta derrubada, área maior que o município de Iranduba (221,681 hectares), na região metropolitana de Manaus. Os dados foram divulgados pelo MapBiomas nesta segunda-feira (12).

A iniciativa reúne universidades, organizações da sociedade civil e empresas de tecnologia. 

Em proporção, de todo o desmatamento registrado no país, no ano passado, 13,33% ocorreu no Amazonas. O estado fica atrás apenas do Pará, que desmatou 456.702 hectares, o que representa 22,2% de todo o desmatamento do país, em 2022. 

Entre 2020 e 2021, o Amazonas saltou da quarta para a segunda posição no ranking nacional. Em 2022, não só se manteve na mesma colocação, como ainda bateu seu próprio recorde: desmatou 37% a mais que em 2021 (200.467 hectares). 

Em todo o país, o desmatamento aumentou 22,3% entre 2021 e 2022. A área total derrubada foi calculada em 2,05 milhões de hectares. A Amazônia e o Cerrado registraram os piores números entre os biomas. 

Lábrea no topo

O Amazonas tem ainda o município que mais desmata no Brasil: Lábrea, no sul do estado. De acordo com o MapBiomas, foram 62 mil hectares de floresta derrubada em 2022, levando o município a ultrapassar Altamira (PA), que historicamente ocupava a primeira posição. Em quatro anos (2019 - 2022), Lábrea viu o desmatamento dobrar de tamanho (91%). 

De acordo com o ex-secretário de Meio Ambiente de Lábrea, Daniel Hiroshi, o aumento do desflorestamento na região está associado ao aumento da atividade agropecuária e o desmonte dos órgãos ambientais. Ele pediu exoneração no último dia 31 de maio para se dedicar a projetos de regularização fundiária em parceria com o governo estadual e o cargo ainda está vago no município. 

"Tivemos um desmantelo, todo o sistema de fiscalização e repressão a crimes ambientais. Vimos  diminuição orçamentária e de estruturas administrativas, tanto do ICMBio quanto do Ibama. Tivemos um apagão de controle ambiental durante quatro anos", afirma.

O relatório do MapBiomas aponta a agropecuária como responsável por quase a totalidade (96%) do desmatamento no país. O garimpo e a mineração ocupam o segundo e terceiro lugar, respectivamente. Segundo o ex-secretário, é necessário haver também um zoneamento econômico e ecológico da região para que o desmatamento possa cair. 

"Se a gente não tiver isso, vamos passar mais cinco anos falando sobre desmatamento, sem conseguir fazer com que quem executa essa atividade predatória a substituia por uma atividade ecológica dentro das potencialidades da região", ressalta. 

O que diz o governo

Em nota para a reportagem, o Governo do Amazonas pontuou que, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) referentes ao desmatamento do ano passado, menos de 5% do total foram em áreas de competência estadual. 

"O Governo do Amazonas tem buscado ampliar as articulações com o Governo Federal, no intuito de integrar as ações de combate e ampliar a repressão aos crimes ambientais, sobretudo, nas áreas federais", diz trecho da nota. 

O texto cita ainda o lançamento do Plano de Prevenção e Controle ao Desmatamento e às Queimadas Ilegais (PPCDQ-AM). O programa foi criado para nortear ações de monitoramento, comando e controle, ordenamento territorial e bieoconomia até 2025.

Além disso, o governo ressalta que realiza a Operação Tamoiotatá 3, de combate a crimes ambientais, com foco no sul do Amazonas, permanentemente.  

Segundo dados do Inpe, o desmatamento caiu 31% na Amazônia Legal, entre janeiro e maio deste ano. Já o Amazonas registrou 49,43% de queda nos alertas de desmatamento entre 1º de janeiro e 2 de junho deste ano, e comparação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema). 

A reportagem procurou o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), porém, não obteve retorno até o momento. O espaço continua aberto para manifestações.

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