Em Autazes

Garimpeiros deixam trecho do rio Madeira após rumor de operação policial

A maioria das centenas de balsas subiu o rio rumo à cidade de Nova Olinda, mas o grupo não foi bem recepcionado ao atracar na orla da cidade e de lá se espalhou

Luciano Falbo
26/11/2021 às 18:15.
Atualizado em 27/10/2023 às 23:31

(Foto: Silas Laurentino/A Crítica)

A caravana de balsas de extração de ouro ilegal que estavam concentradas no rio Madeira nas proximidades da comunidade Rosarinho, em Autazes, começou a se dispersar ainda na noite de quinta-feira (25) após circularem entre os garimpeiros informações de que haveria uma operação de repressão contra eles. 

Nos grupos de WhatsApp, foram publicadas imagens de operações fluviais antigas, com soldados fortemente armados. As imagens assustaram os garimpeiros. O temor era de um confronto violento com as forças federais e que as balsas fossem incendiadas.

Na manhã desta sexta-feira (26), pouco mais de 10 embarcações permaneciam na localidade, mas não realizando mais a extração do minério.

A maioria das centenas de balsas subiu o rio rumo à cidade de Nova Olinda. Segundo fonte de A CRÍTICA que esteve no trecho nesta sexta, eles não foram bem recepcionados ao atracar na orla de Nova Olinda e de lá se espalharam. Um pequeno grupo permaneceu na região, mas ficou na outra margem do rio. 

A invasão ao trecho do rio em Autazes, a 120 quilômetros de Manaus em linha reta, começou há cerca de duas semanas, de forma progressiva, após circular a "fofoca" de que haveria uma grande quantidade do minério sendo encontrada lá.

No início da semana, então, iniciou uma concentração de balsas com dragas de extração de ouro do leito do rio no trecho. A estimativa é de que, no ápice, havia mais de 300 no local.

As primeiras notícias sobre o cenário do Madeira nas imediações de Rosarinho começaram a ser publicadas na segunda-feira (22). Na terça-feira (23), A CRÍTICA, assim como outros veículos nacionais. O caso ganhou repercussão internacional.

A prática do garimpo ilegal é uma problemática antiga da Amazônia. Mas, na avaliação de ambientalistas, tem se agravado nos últimos anos diante das posições, ações e omissões dos governos em relação ao tema.

O que também causou perplexidade, além das imagens das centenas de balsas agrupadas, foi a proximidade com a capital amazonense. 

Mesmo após três dias do caso ganhar os holofotes dos principais veículos jornalísticos e das redes sociais, não houve uma ação prática de resposta até agora. Os órgãos públicos limitaram-se a dizer que estudavam estratégias para contornar o problema socioambiental.

(Balsas em operação nas proximidades de Rosarinho. Silas Laurentino/A Crítica )

(Balsas em operação nas proximidades de Rosarinho. Silas Laurentino/A Crítica )

(Balsas em operação nas proximidades de Rosarinho. Silas Laurentino/A Crítica)

(Balsas em operação nas proximidades de Rosarinho. Silas Laurentino/A Crítica )

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