Economia

Desafios econômicos apresentam cenário misto para 2025

Expectativa de recuperação econômica esbarra na inflação crescente e nas altas taxas de juros

Fernanda Moutinho
22/02/2025 às 17:17.
Atualizado em 22/02/2025 às 17:18

Para economista da XP, Alexandre Maluf, a projeção macroeconômica para este ano é de uma inflação de 6,1%, a Taxa Selic em 15,5%, um PIB de cerca de 2% e uma taxa de câmbio subindo para R$6,20 (Foto: Divulgação)

As projeções econômicas para 2025 apontam para um cenário misto, com o Brasil enfrentando desafios como inflação elevada, juros altos e um PIB com crescimento moderado. Enquanto o setor industrial sofre os impactos da política monetária, investimentos nos setores de energia, petróleo e proteína surgem como promissores, exigindo estratégias cuidadosas tanto para empresários quanto para investidores.

De acordo com o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira (17), a previsão do Produto Interno Bruto (PIB) é de 2,01%, enquanto a inflação subiu para 5,60%. Além disso, a taxa de câmbio deve fechar o ano em R$6,00.

Segundo o economista da XP, Alexandre Maluf, a projeção macroeconômica para este ano é de uma inflação de 6,1%, a Taxa Selic em 15,5%, um PIB de cerca de 2% e uma taxa de câmbio subindo para R$6,20.

Especialista em inflação, Alexandre Maluf destaca que há estabilidade em relação ao ano passado. “Quando olhamos para inflação, vemos os principais grupos que trabalhamos: o de serviços, o de industrial, o de alimentos e o de bens monitorados, que têm algum grau de controle do governo de reajuste e etc. Há aceleração em quase todas as métricas, ou pelo menos, há estabilidade em relação a 2024”, explica.

Ele também observa que o setor de serviços deve continuar subindo, devido ao mercado de trabalho apertado, o que resulta na alta da economia. “Estive no Amazonas recentemente, e conversando com empresários da região, vejo a dificuldade de se encontrar mão de obra qualificada, que é uma reclamação de diversos setores e uma das atuais problemáticas do Brasil, que se resulta em reajustes salariais maiores, porque no fim do dia, para você atrair um novo trabalhador, você tem que subir a oferta para tirar a pessoa de seu atual emprego, então fica uma briga por trabalhadores”, ressalta.

Com isso, espera-se que os juros permaneçam elevados por mais tempo, com a Taxa Selic próxima de 15%, para tentar controlar a inflação e trazê-la para o centro da meta.

As principais projeções para a economia brasileira em 2025 indicam uma suavização no crescimento econômico. Em 2024, o Brasil cresceu 3,5%, impulsionado pelo consumo das famílias (alta de 5,2%) e pelos investimentos, que cresceram 17,2%, superando os 16,4% de 2023. No entanto, Alexandre Maluf alerta que essa demanda interna aquecida deve desacelerar ao longo de 2025. “O ciclo de alta da Selic impacta o consumo das famílias e os investimentos privados. Como resultado, as empresas sentirão o encarecimento do crédito, acelerando a economia, mas isso não significa uma queda da inflação”, explica.

Ele também aponta que o primeiro semestre de 2025 será marcado por um cenário adverso, com economia desacelerando, Selic subindo e inflação acelerando. “No primeiro semestre, o cenário é um pouco adverso, mas espera-se um reequilíbrio melhor ao longo do segundo semestre”, conclui.

O indicador de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que reflete o nível de investimentos como compras de máquinas e equipamentos, aumentou 7,6%. As exportações cresceram 3,7%, enquanto as importações, que reduzem o PIB, aumentaram 14,3%.

O PIB brasileiro alcançou R$11,655 trilhões em 2024, o maior da história, com PIB per capita de R$56.796, também recorde. De acordo com Alexandre Maluf, espera-se certa incerteza sobre o crescimento do PIB nos próximos meses, mas a expectativa é que ele permaneça estável em torno de 2%.

O economista menciona o “carregamento estático” como um fator de estabilidade, que se refere ao impulso que o PIB de um trimestre dá para o resto do ano. “Com uma base sólida no início do ano, o crescimento deve ser de pelo menos 1% por questões estatísticas”, observa. Outro fator importante é a maior safra de soja da história do país, que, segundo o IBGE, deve chegar a 167,3 milhões de toneladas, 15,4% maior que no ano passado, contribuindo para a economia. Além disso, a extração mineral também deve ajudar a sustentar o PIB.

Porém, a inflação deve continuar acelerando devido ao alto custo dos bens importados. “Existem efeitos na inflação que são defasados. O impacto da depreciação cambial e da atividade econômica forte de 2024 ainda será sentido, especialmente entre o primeiro e o terceiro trimestre de 2025”, alerta.

Em resposta a esse cenário, o Banco Central deve manter a Selic em patamares elevados. “Em março, o BC deve manter a Selic no mesmo patamar, com a expectativa de um aumento para 15,5% até junho, sem cortes até o final do ano”, afirma.

O setor industrial, particularmente no Amazonas e na região Norte, será diretamente afetado pelas tendências macroeconômicas. Alexandre Maluf destaca que o setor industrial, que depende do crédito e da demanda, sofrerá com o encarecimento do crédito e a redução de demanda, especialmente para bens duráveis, como automóveis. “Além disso, o custo dos insumos importados, impulsionado pela desvalorização do real, terá impacto”, acrescenta.

Para os empresários da Amazônia, que enfrentam desafios específicos, Maluf sugere adotar estratégias para prosperar em um ambiente econômico difícil. “Buscar alternativas de captação, melhorar a oferta para os clientes e encontrar soluções para riscos orçamentários são algumas das estratégias que podem ajudar os empresários a crescer nesse cenário desafiador”, conclui.

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