RECONHECIMENTO

Professor e estudantes de Manacapuru são finalistas do prêmio Solve For Tomorrow, em São Paulo

O professor Galileu Pires e suas alunas, da Escola Estadual Nossa Senhora de Nazaré, reconhecido por sua dedicação à educação científica. Em 2024, ele orientou alunas em um projeto sobre pobreza menstrual

Giovanna Marinho
07/12/2024 às 20:22.
Atualizado em 07/12/2024 às 21:10

Estudantes amazonenses que partiparam do Solve For Tomorrow, em São Paulo (Foto: Divulgação)

A oportunidade de pensar soluções para problemas do dia a dia: essa é a proposta do Solve For Tomorrow, iniciativa da Samsung para incentivar a participação de alunos de escolas públicas no mundo da iniciação científica. Nesta semana, 10 projetos de diversas regiões do país participaram de uma emocionante premiação, em São Paulo (SP), que mostrou o verdadeiro valor do investimento na educação.

O programa completa 11 anos e, neste ano, contou com 19 mil projetos inscritos e mais de 179 mil alunos participantes. Desde o primeiro trimestre do ano, as seletivas foram organizadas, e os selecionados para a semifinal receberam mentoria e palestras semanais com profissionais da Samsung para aprimorar os protótipos propostos no início do desafio, cada um respeitando a realidade do seu local de origem.

Dez ideias inovadoras foram levadas para a final, onde os alunos foram convidados a participar da premiação na capital paulista. Eles, suas escolas e seus professores concorreram a prêmios da Samsung. Neste ano, o campeão foi o ‘Filtropinha’, desenvolvido por alunos da Escola Nacional Paulo Freire, que emocionou o auditório da Cinemateca.

Os cinco alunos do 2° ano do ensino médio, sendo duas moradoras do quilombo do Caruá, no município de Carnaíba, no sertão de Pernambuco, pensaram em um dispositivo que filtra a manipueira, resíduo tóxico resultante da sedimentação da mandioca (tucupi), presente nas casas de farinha. Observando os sintomas que seus pais vinham apresentando, elas apresentaram a ideia ao professor, que convocou a equipe para pensar em uma solução.

A partir de indícios científicos e da criatividade, criaram o Filtropinha, um filtro feito a partir da casca da fruta-pinha (fruta do conde), alimento comum na região, cuja casca, descartada após o consumo, apresenta porosidade que permite conter o ácido cianídrico presente na manipueira, que antes ia parar no solo e na água.

O Solve For Tomorrow muda a realidade de pessoas como Angela Rafaella, adolescente negra, moradora da comunidade quilombola e uma das líderes da equipe vencedora. Ela narra os desafios vividos ao longo do ano para alcançar o lugar mais alto do pódio. A próxima fase do projeto, segundo ela, é validar o protótipo nas casas de farinha da região e usar os resíduos para a fabricação de fertilizantes de liberação lenta, voltados para a agricultura.

Premiação realizada pela Samsung foi realizada em São Paulo

“Não foi fácil. Passamos o ano inteiro batalhando. Chegávamos em casa às 7h [da noite] e saíamos de casa às 5h30. A hora do almoço na escola era o único momento que a gente tinha para fazer acontecer. Tudo o que a gente conseguiu foi por mérito nosso, da nossa escola, da nossa comunidade quilombola. Quero muito agradecer ao pessoal do Solve For Tomorrow”, relatou a jovem minutos após um discurso emocionante na entrega do prêmio, onde ressaltou a ancestralidade de quem vive no quilombo.

Representação do Amazonas

O Amazonas foi finalista da premiação com o professor Galileu Pires, da Escola Estadual Nossa Senhora de Nazaré, em Manacapuru, reconhecido por sua dedicação à educação científica. Em 2024, ele orientou alunas do 1º ano do ensino médio em um projeto sobre pobreza menstrual, que começou com palestras para desmistificar a menstruação e logo evoluiu. “Muitas meninas menstruam pela primeira vez no ambiente escolar, sem nenhum preparo, passam vergonha e até pensam em desistir de estudar”, contou o professor.  

O projeto cresceu para a criação de um dispensador de absorventes higiênicos para meninas de baixa renda, que foi automatizado pelas alunas com o uso de Arduino. “Nossa escola foi a primeira do Brasil a contar com esse sistema”, destacou Galileu. O grupo foi ainda além, desenvolvendo o “Jaci Indicador de Saúde da Mulher”, um dispositivo para ajudar no diagnóstico de doenças femininas por meio do fluxo menstrual e do pH vaginal. “Nosso projeto vai abrir portas para a pesquisa e ajudar a salvar vidas por meio da prevenção”, explicou uma das alunas.  

A aluna Laissa Araújo relembrou a evolução ao longo das mentorias:

“Eu nem sabia o que era pH quando entrei no projeto, mas aprendi demais. Além de ajudar nessa causa linda, aprendi muito com o meu orientador.” Já Karla Suelen, líder da equipe, destacou a transformação pessoal e comunitária. “Fui a primeira mulher da minha casa a entender a importância de falar sobre saúde íntima. Isso mudou minha vida e a percepção de toda a escola”.

  

Karla também ressaltou o impacto do programa da Samsung. “Antes, nossos projetos não tinham apoio e ficavam esquecidos. Com o Solve For Tomorrow, ganhamos visibilidade e conseguimos levar nossos projetos até áreas ribeirinhas. Hoje, somos reconhecidos como a ‘capital amazonense da robótica’".

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