Projeto social fundado por Alison Braga coloca duas equipes na decisão do maior campeonato de peladas do mundo. Treinador adota postura neutra enquanto filho tenta repetir feito do pai na Arena da Amazônia
Alison Braga é responsável pela AFAB, que chegou à decisão do Peladinho em parceria com os finalistas Guerreirinhos e Fast. Atleta do Guerreirinhos, o camisa 14 Ruan é filho de Alison e tenta repetir o feito do pai, campeão como jogador (Divulgação)
Iniciando os trabalhos no maior campeonato de peladas do mundo, a categoria Peladão Júnior - mais conhecida como Peladinho - já tem seu campeão confirmado: a Academia de Futebol Alison Braga (AFAB). Entretanto, ainda resta saber qual equipe da AFAB vai ficar com o troféu, pois a decisão ocorre entre as duas equipes da Academia: Guerreirinhos/AFAB e Fast/AFAB. A primeira das quatro decisões acontece às 13h.
Fundador da AFAB, Alison Braga concedeu entrevista ao A Crítica na semana da final, durante treinamento realizado no CSU do Parque 10. O responsável pelo projeto social explica que, na grande final, não vai estar à frente de nenhuma das equipes, revelando que dividiu a comissão técnica - que geriu os dois times simultaneamente durante as demais fases da competição - para que cada equipe tenha um treinador durante a grande decisão.
“A Academia de Futebol Alison Braga existe há 10 anos, é um projeto social dentro do conjunto Yael, Parque das Laranjeiras. A gente vem tentando trabalhar com os jovens, primeiramente, tirando eles das ruas e das drogas. Nessa final eu vou ser o mais neutro possível, onde dividimos a comissão técnica para as duas equipes. O professor Leonardo Rosa vai comandar o Guerreirinhos e o Chopinho, atual bicampeão, comanda o Fast”, detalha.
O Guerreirinhos é a equipe com atletas mais ‘experientes’, nascidos em 2011, enquanto o Fast é a equipe mais jovem, com jogadores nascidos em 2012. No treinamento que a reportagem acompanhou, as duas equipes estavam presentes. Alison se diverte com a situação, relatando que para a comissão técnica já é campeã, mas os jogadores não, com cada um buscando fazer o seu melhor para garantir o topo da competição na Arena da Amazônia.
“Ter dois times em uma final faz com que as pessoas perguntem se vai ser ‘jogo de compadre’, mas não vai ser. O título está garantido para a comissão técnica, mas os jogadores vão ter de lutar, terá jogo sim. Temos uma equipe sub-14 e outra sub-13, então a torcida que for ao estádio pode esperar por um grande jogo, onde irá vencer o melhor. A comissão está tranquila, o trabalho foi bem feito e alcançamos esse êxito em um campeonato tão grandioso”, afirma.
A expectativa de um grande jogo tem tudo para ser correspondida, tendo em vista que a AFAB, ao lado de Guerreirinhos e Fast, conquistou tudo e mais um pouco com a atual geração que será vista logo mais. A conquista mais recente foi a de campeão estadual na categoria sub-14, com a camisa do Fast, conquistada em decisão disputada contra o Amazonas, no final de 2025. Alison relembra cada um dos troféus levantados ao longo dos anos.
“São quatro anos de trabalho, um trabalho que eu comecei junto com o Jorginho, que é o presidente do Guerreirinhos, e a gente vem colhendo bons frutos. Fomos campeões amazonenses sub-12 em 2023, também fomos campeões amazonenses de futsal, entre outros títulos na nossa cidade. Em 2024 fomos campeões brasileiros de Fut-7 em Salvador, categoria sub-13, mas faltava a ‘cereja do bolo’ de chegar a uma final de Peladinho, uma competição muito importante para a base. Confesso que não esperava chegar com as duas equipes, mas Deus nos abençoou e conseguimos chegar”, destaca.
O campo do CSU do Parque 10 é especial para Alison Braga, pois foi o campo onde o técnico deu seus primeiros passos no futebol. Quando teve a oportunidade de competir no Peladinho, atuando pela equipe do Clipper, o jogador fez história ao atingir números extraordinários, sendo campeão, craque da competição e artilheiro do torneio, marcando 15 gols, recorde que foi quebrado por um atleta que trabalhou com o próprio treinador.
“Eu comecei exatamente aqui no CSU do Parque 10. Em 2002, pela equipe do Clipper, o presidente junto com o treinador resolveu colocar a equipe no Peladinho, e eu consegui me destacar muito naquele ano, muito mesmo. Fui craque e artilheiro da competição, inclusive, um atleta que trabalhou comigo foi quem quebrou o meu recorde, o Guilherme Dentinho, há dois anos atrás, quando marcou 26 gols. Hoje ele brilha nos campos de Florianópolis, Santa Catarina, pela equipe do AEK Floripa”, comenta.
Por fim, Alison agradece a experiência que viveu mais de duas décadas atrás, que se transformou em uma carreira da qual ele se orgulha. Agora, o desafio é revelar talentos locais, ensinando-lhes a importância de se dedicarem, levando a sério todas as oportunidades que aparecem pela frente.
“Minha trajetória começou através do Peladinho e, graças a Deus, depois as portas se abriram e consegui chegar no elenco profissional do São Raimundo, fazendo parte daquele grande elenco da Série B do Brasileiro, dos tempos áureos do nosso futebol, e tudo isso só foi possível por causa do Peladinho. Por isso eu falo tanto para esses meninos sobre a importância da competição, porque ela abre muitas portas e espero que eles possam aproveitar essa oportunidade de estar em uma grande final, em um estádio de Copa do Mundo, como é a Arena da Amazônia”, finaliza.
Para tornar essa história ainda mais especial, o filho de Alison, Ruan Braga, de 14 anos, estará em campo pelo Guerreirinhos, buscando o título que o pai conquistou como jogador 24 anos atrás.
“A expectativa é muito boa, todos nós queremos sair com o título e, se Deus quiser, vamos ser campeões. Trabalhamos muito, treinamos e nos esforçamos muito para estar aqui nessa final, o que não é fácil”, afirma.