Amazonense disputará os Jogos Paralímpicos pela terceira vez seguida; Junto com a seleção, ela tem dois bronzes: na Rio 2026 e Tóquio 2020
Convocação aconteceu na terça. Mais de 240 atletas formam a maior delegação brasileira da história paralímpica (Reprodução/ Youtube)
Convocada pela Seleção Brasileira de Vôlei Sentado, a amazonense Laiana Rodrigues Batista vai disputar pela terceira vez consecutiva os Jogos Paralímpicos. Em 2016, no Rio de Janeiro, e em 2021, em Tóquio, a equipe conquistou a medalha de bronze - melhores campanhas do Brasil na história da modalidade. Desta vez, os Jogos acontecerão em Paris, França, país onde a amazonense esteve recentemente com a Seleção.
Na última semana, Laiana e suas companheiras de equipe conquistaram a medalha de bronze na World Super Six, disputada em Nancy, França. Logo após a conquista, o elenco voltou a treinar no último sábado, já visando os Jogos Paralímpicos - cuja convocação foi feita na última terça-feira.
Em conversa ao A Crítica, a amazonense falou sobre o terceiro lugar na competição e o fato de poder conhecer mais as oponentes.
Nos últimos jogos paralímpicos, Laiana (à esquerda) conquistou a medalha de bronze
Sobre a sua terceira convocação aos Jogos Paralímpicos, Laiana agradeceu a confiança do técnico Fernando Guimarães - definido por ela como alguém ‘criterioso e exigente’. Medalhista de bronze em suas duas primeiras participações, a paratleta não pensa em outra coisa que não seja a oportunidade de, mais uma vez, estar entre as três melhores seleções do mundo e, consequentemente, conquistar mais uma medalha para o Brasil.
Ao citar a questão da ‘transição de carreira’, a reportagem questionou Laiana sobre a possibilidade dos Jogos Paralímpicos de Paris 2024 serem a última vez dela nas quadras. Aos 42 anos, a paratleta explica que, por algumas vezes, pensou em se aposentar. No entanto, o desejo da amazonense é de viver dia após dia, desfrutando da oportunidade de seguir defendendo a Seleção Brasileira em competições de nível mundial.
“Não consegui mais fazer um plano ou pensar sobre isso (aposentadoria), porque nas duas vezes que tentei sair do esporte, ou deu errado ou não me convenci o suficiente pra tomar essa decisão. Mas ainda bem que, nesse meio, têm profissionais incríveis tanto no SESI quanto na CBVD, que me mostraram o tempo oportuno para isso acontecer. Prefiro ficar no meu canto, orando a Deus e vivendo dia após dia até que a aposentadoria chegue”, afirma.
Aos 18 anos, quando ainda era atleta de voleibol, Laiana teve dengue hemorrágica e a manifestação da síndrome de Guillain Barré, uma doença autoimune que fez com que as pernas da atleta ficassem paralisadas e o pé direito caído. Somente aos 33 anos - 15 anos depois do ocorrido -, Laiana conheceu a modalidade paralímpica, ajudando o Brasil a conquistar suas primeiras medalhas nos Jogos.
Treinando no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo, desde a conquista do bronze no World Super Six, as paratletas da Seleção Brasileira permanecem em atividade até este sábado (30). Durante este período, o foco estará no aperfeiçoamento técnico e na excelência tática, elementos essenciais para alcançar o desempenho desejado em Paris. Para o presidente da Confederação Brasileira de Voleibol para Deficientes, Ângelo Alves Neto, o Brasil estará representado pelos melhores atletas.
A estreia da Seleção Brasileira Feminina de Vôlei Sentado nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024 ocorre no dia 29 de agosto, contra Ruanda. O Brasil está no grupo B, que além de Ruanda, também conta com as seleções de Canadá e Eslovênia. Já no grupo A, estão Estados Unidos - atuais bicampeãs -, China, França e Itália. As duas primeiras colocadas de cada grupo avançam para às semifinais.