Confirmada em Paris

Atleta do vôlei sentado, Laiana Batista fala sobre convocação para Jogos Paralímpicos de Paris

Amazonense disputará os Jogos Paralímpicos pela terceira vez seguida; Junto com a seleção, ela tem dois bronzes: na Rio 2026 e Tóquio 2020

Deyvid Jonathan
29/06/2024 às 18:17.
Atualizado em 29/06/2024 às 18:23

Convocação aconteceu na terça. Mais de 240 atletas formam a maior delegação brasileira da história paralímpica (Reprodução/ Youtube)

Convocada pela Seleção Brasileira de Vôlei Sentado, a amazonense Laiana Rodrigues Batista vai disputar pela terceira vez consecutiva os Jogos Paralímpicos. Em 2016, no Rio de Janeiro, e em 2021, em Tóquio, a equipe conquistou a medalha de bronze - melhores campanhas do Brasil na história da modalidade. Desta vez, os Jogos acontecerão em Paris, França, país onde a amazonense esteve recentemente com a Seleção.

Na última semana, Laiana e suas companheiras de equipe conquistaram a medalha de bronze na World Super Six, disputada em Nancy, França. Logo após a conquista, o elenco voltou a treinar no último sábado, já visando os Jogos Paralímpicos - cuja convocação foi feita na última terça-feira.

Em conversa ao A Crítica, a amazonense falou sobre o terceiro lugar na competição e o fato de poder conhecer mais  as oponentes.

“Participar da competição em Nancy nos aproximou um pouco da realidade dos Jogos Paralímpicos. Uma experiência bem interessante em termos de local, assistência, logística e, o mais importante, conhecer nossas prováveis adversárias na quadra. Trouxemos o bronze bem suado, jogamos muito. Erramos, acertamos, ganhamos, perdemos e subimos no pódio. Conseguimos muitas informações para nossa preparação tática e técnica, do que devemos fazer em quadra e a nossa equipe vem crescendo a cada treino, para quem for nos assistir se surpreender com um grande espetáculo de jogo”, detalha.

Nos últimos jogos paralímpicos, Laiana (à esquerda) conquistou a medalha de bronze

 Sobre a sua terceira convocação aos Jogos Paralímpicos, Laiana agradeceu a confiança do técnico Fernando Guimarães - definido por ela como alguém ‘criterioso e exigente’. Medalhista de bronze em suas duas primeiras participações, a paratleta não pensa em outra coisa que não seja a oportunidade de, mais uma vez, estar entre as três melhores seleções do mundo e, consequentemente, conquistar mais uma medalha para o Brasil.

“Eu estou muito feliz por mais uma convocação, ainda mais uma seleção sendo comandada pela comissão técnica do técnico Fernando Guimarães. (Fernando é) Muito criterioso e exigente, porém, um verdadeiro desafiador de atletas. Eu já havia entrado no processo de desaceleração no esporte e transição de carreira, daí veio a convocação. Estou muito feliz e com muita vontade de vestir a camisa canarinha mais uma vez e jogar muito com a equipe, de olho em mais um pódio, com certeza”, almeja.

Ao citar a questão da ‘transição de carreira’, a reportagem questionou Laiana sobre a possibilidade dos Jogos Paralímpicos de Paris 2024 serem a última vez dela nas quadras. Aos 42 anos, a paratleta explica que, por algumas vezes, pensou em se aposentar. No entanto, o desejo da amazonense é de viver dia após dia, desfrutando da oportunidade de seguir defendendo a Seleção Brasileira em competições de nível mundial.

“Não consegui mais fazer um plano ou pensar sobre isso (aposentadoria), porque nas duas vezes que tentei sair do esporte, ou deu errado ou não me convenci o suficiente pra tomar essa decisão. Mas ainda bem que, nesse meio, têm profissionais incríveis tanto no SESI quanto na CBVD, que me mostraram o tempo oportuno para isso acontecer. Prefiro ficar no meu canto, orando a Deus e vivendo dia após dia até que a aposentadoria chegue”, afirma.

Aos 18 anos, quando ainda era atleta de voleibol, Laiana teve dengue hemorrágica e a manifestação da síndrome de Guillain Barré, uma doença autoimune que fez com que as pernas da atleta ficassem paralisadas e o pé direito caído. Somente aos 33 anos - 15 anos depois do ocorrido -, Laiana conheceu a modalidade paralímpica, ajudando o Brasil a conquistar suas primeiras medalhas nos Jogos.

“Espero contribuir trazendo orgulho e alegria para nossa nação, para o clube que me adotou aqui em Suzano (SESI-SP), para o meu estado do coração, Amazonas, Manaus, e para o meu amado bairro Armando Mendes. Conto muito com a torcida carinhosa e calorosa do nosso povo lindo”, finaliza Laiana.

Preparação

Treinando no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo, desde a conquista do bronze no World Super Six, as paratletas da Seleção Brasileira permanecem em atividade até este sábado (30). Durante este período, o foco estará no aperfeiçoamento técnico e na excelência tática, elementos essenciais para alcançar o desempenho desejado em Paris. Para o presidente da Confederação Brasileira de Voleibol para Deficientes, Ângelo Alves Neto, o Brasil estará representado pelos melhores atletas.

“Foi uma preparação intensa e com muita dedicação feita com o que existe de melhor para o desenvolvimento da modalidade. Tenho certeza de que o Brasil ganhará medalha de ouro no masculino e feminino. Em Paris, a CBVD sai de cena e entrega as seleções para o Comitê Paralímpico Brasileiro”.

A estreia da Seleção Brasileira Feminina de Vôlei Sentado nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024 ocorre no dia 29 de agosto, contra Ruanda. O Brasil está no grupo B, que além de Ruanda, também conta com as seleções de Canadá e Eslovênia. Já no grupo A, estão Estados Unidos - atuais bicampeãs -, China, França e Itália. As duas primeiras colocadas de cada grupo avançam para às semifinais.

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