Ex-jogadores profissionais com lembranças vitoriosas na Arena da Amazônia pretendem escrever mais um capítulo de triunfos no estádio, mas desta vez, jogando pelo maior campeonato de peladas do mundo
(Fotos: Foto: Ismael Monteiro/ Alvorada e Paulo Bindá/ Amigos do Tubinha)
Dos jogadores que pisarão no gramado da Arena da Amazônia neste domingo, alguns sentirão a emoção de jogar pela primeira vez no grandioso palco amazonense, enquanto isso outros irão reencontrar uma velha conhecida e que traz boas lembranças. Na categoria Principal, por exemplo, tanto Roberto Dinamite como Igor já jogaram no estádio como profissionais, e já atuaram pelo mesmo lado, inclusive, mas na final do maior campeonato de peladas do mundo estarão em lados opostos. Enquanto Dinamite vestirá a camisa do Unidos do Alvorada, Igor representa o Amigos do Tubinha.
Enquanto jogador profissional, Igor foi bicampeão amazonense pelo Manaus em 2017 e 2018, ambas as finais na Arena da Amazônia contra Nacional e Fast, respectivamente. Mas o parte do coração do jogador estava no bairro do São José, onde cresceu. É que junto com alguns amigos, Igor ajudou a fundar o Amigos do Tubinha. Na época de Peladão, o jogador sempre que podia acompanhava os jogos do pitbull da zona Leste e foi da beira do campo que ele viu a equipe cair duas vezes na semifinal e, em meio à tristeza pela segunda eliminação tomou uma decisão que o levou para a final.
“Foi quando eles perderam a última semifinal que eu vi aquela tristeza dentro do vestiário e tomei a decisão de largar o profissional com o objetivo de colocar o Tubinha na final e ser campeão. Ai quando o Tubarão foi formar o time para esse ano falei: conta comigo que esse ano vamos acabar com esse sofrimento. Algumas pessoas não entenderam porque fiz isso, mas falei pra eles que lá na frente eles iriam entender. Eu queria mudar e quero mudar o semblante das pessoas da minha comunidade e colocar um sorriso no rosto deles”, disse o meio-campo.
Assim, trabalhando juntamente com a equipe do Amigos do Tubinha, Igor e os companheiros de time conseguiram ultrapassar a barreira das semifinais e, neste domingo, o time da zona Leste irá disputar pela primeira vez uma decisão.
O tabu foi quebrado contra o Cruzeiro do Mauazinho há uma semana quando venceram por 2 a 0. Após o apito final, que sacramentou a passagem para a decisão, Igor disse que passou um filme na cabeça e um misto de alegria e gratidão.
“Passou. Todo trabalho e o esforço valeram a pena. Digo por mim que tô há cinco jogos jogando com o pé trincado por causa de uma fissura na base da injeção, mas já falei para ele aguentar que ainda preciso dele. Mas a sensação de ir para final foi das melhores, acho que foi a mesma emoção de quando eu soube que ia ser pai de uma menina”, comentou Igor dizendo que apesar da emoção, a missão ainda não está completa.
“Jogar na Arena vai ser normal pra mim, mas vai ser um momento único na minha vida em que vou levar minha comunidade pra Arena e, se Deus permitir, trazer esse título para a história do bairro do São José”.
Buscando mais um título
Do lado do Unidos do Alvorada, Roberto Dinamite está pronto para reencontrar a Arena da Amazônia onde ele, como capitão do Fast levantou o título que quebrou um jejum de 45 anos do Rolo Compressor. Desta vez a seca do Alvorada é bem menor, já que a equipe conquistou o Peladão pela última vez em 2018.
“A Arena da Amazônia é especial, traz boas lembranças de títulos, de vagas em Copa do Brasil, jogos de Copa do Brasil... títulos de campeonato amazonense. Tenho boas lembranças”, disse o jogador que também frisou que é especial voltar a sentir as sensações que tinha quando entra em campo, mesmo que tenha algumas diferenças.
“Como passei minha vida competindo esses sentimentos apenas adormecem dentro de você e nesse jogo você volta a sentir as mesmas emoções, a adrenalina, o frio na barriga. Mas é diferente porque você está representando um bairro e hoje eu vejo isso porque esse jogo movimenta meus amigos e isso é bem legal”, completou.
Dinamite chegou no time do Alvorada no fim do ano passado para jogar o ‘perde e sai’. O convite surgiu de uma brincadeira após os jogos festivos de fim de ano e o que parecia uma zoeira, acabou virando um chamado sério e o jogador acabou aceitando. Agora, na final do primeiro Peladão, Dinamite acredita que terá um jogo difícil pela frente, mas espera que um novo capítulo feliz seja escrito.
“Será um jogo complicado, não existe jogo fácil, principalmente porque entrei nessa fase de perde e sai, mas espero que a gente possa ter uma passagem vitoriosa e positiva e que fique marcado na história da escola, do clube e das pessoas que gostam do futebol amador”.
Enquanto jogador profissional, Igor foi bicampeão amazonense pelo Manaus em 2017 e 2018, ambas as finais na Arena da Amazônia contra Nacional e Fast, respectivamente (Foto: Paulo Bindá)