O médico infectologista Noaldo Oliveira destaca que o Brasil vive um momento de evolução significativa no diagnóstico e no tratamento, tornando a adesão mais simples e eficaz
(Foto: Agência Brasil)
Neste Dia Mundial de Combate ao HIV/AIDS, celebrado nesta segunda-feira (1º de dezembro), profissionais de saúde e representantes de entidades públicas reforçam que, apesar dos avanços científicos, o combate ao vírus ainda depende fortemente de informação de qualidade, acesso à saúde e enfrentamento ao estigma.
O médico infectologista Noaldo Oliveira destaca que o Brasil vive um momento de evolução significativa no diagnóstico e no tratamento, tornando a adesão mais simples e eficaz.
Segundo ele, “hoje temos exames que detectam o vírus ou partículas dele com cada vez menos tempo após o contato sexual suspeito. No tratamento, contamos com a comodidade de remédios combinados em um único comprimido, de tomada diária, com efeitos colaterais mínimos e excelente potência a longo prazo, desde que usados corretamente.
Apesar do progresso, o infectologista alerta que o país ainda enfrenta obstáculos importantes.
“Precisamos ampliar o acesso à informação e ao diagnóstico em locais mais distantes, além de reforçar a divulgação para as populações mais vulneráveis. O Brasil ainda é um país extremamente preconceituoso, e preconceito se combate com informação e formação”, afirma Noaldo.
Entre as estratégias mais eficazes, o especialista aponta a ampliação da testagem rápida e o crescimento do uso da PrEP (profilaxia pré-exposição).
“A PrEP, quando usada corretamente e associada a outras medidas de prevenção, é essencial. A testagem rápida também é fundamental. Mas é importante lembrar: a PrEP protege exclusivamente contra o HIV. Por isso falamos na ‘mandala de proteção’, que inclui diagnóstico precoce de HIV e outras ISTs, tratamento do paciente e dos contactantes, vacinação e atendimento livre de preconceitos”, explica.
Ele ressalta que o conjunto dessas ações tem contribuído para a redução de novas infecções, segundo dados divulgados recentemente por órgãos de saúde.
Noaldo alerta ainda para o fato de que muitas infecções sexualmente transmissíveis não apresentam sintomas iniciais.
“O HIV pode levar anos para gerar sinais. Uma sinusite que não melhora como antes, perda de peso sem explicação, diarreias recorrentes, febres… pode ser muita coisa, mas não podemos excluir a investigação da vida sexual”, explica.
Para o médico, a testagem deveria fazer parte da rotina de qualquer pessoa sexualmente ativa.
“Na minha opinião, vida sexual ativa é igual à necessidade de testagem, pelo menos anual, independente de estado civil ou orientação sexual. Se a variabilidade de parceiros for alta, é importante conversar com um especialista para definir intervalos menores e o método preventivo mais adequado”, afirma.
Entre jovens, principalmente, o papel da educação sexual e do diálogo continua sendo determinante.
“Informação é fundamental. Precisamos ampliar os espaços de discussão sobre sexualidade, inclusive dentro da família, com linguagem acessível. Também é essencial retomar campanhas mais amplas e reforçar que cada pessoa é responsável por si. Não se pode confundir vínculo afetivo com autorização para abandonar medidas preventivas sem exames”, orienta o infectologista.
Para a presidente do Sindicato dos Servidores Públicos (SINDSEMP-AM), Wladia Maia, a data reforça o compromisso da entidade em promover debates e ampliar o acesso à informação confiável.
"Esta data é um momento importante para reforçarmos a conscientização. O sindicato tem se dedicado a dar visibilidade ao tema, combater a desinformação e incentivar que mais pessoas busquem prevenção, testagem e acolhimento sem estigma. Informação de qualidade salva vidas e manter esse assunto em pauta é essencial”.
O Dia Mundial de Combate ao HIV/AIDS reforça que a luta não é apenas médica. É social, educativa e humana. Avanços tecnológicos permitem viver com qualidade, o acesso e a informação garantem que mais pessoas possam usufruir disso.
E, como reforçam os especialistas, a prevenção continua sendo a principal ferramenta sustentada pelo conhecimento, pelo diálogo e pelo combate diário ao preconceito.