Para o delegado que conduz as investigações, pode haver uma eventual responsabilização de mais de uma pessoa da gestão do hospital
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O delegado Marcelo Martins, responsável pela investigação da morte do pequeno Benício, afirmou nesta terça-feira (9) que os novos depoimentos colhidos hoje no 24° Distrito Integrado de Polícia (DIP), revelaram falhas graves na estrutura do Hospital Santa Júlia.
Segundo ele, não havia farmacêutico habilitado na farmácia do pronto atendimento no dia do ocorrido, o que contraria normas do Conselho Regional de Farmácia.
Durante a manhã, foram ouvidas a auxiliar de farmácia Romana e a farmacêutica Lia.
Esta última, a única profissional da área presente no hospital no dia dos fatos. De acordo com o delegado, Romana foi quem dispensou a medicação adrenalina para a técnica de enfermagem Rocicleide, que repassou o medicamento à técnica Raíza.
A farmacêutica, por sua vez, estava sobrecarregada, atendendo diversos setores, o que a impediu de realizar a devida validação da prescrição médica, procedimento obrigatório antes da liberação de medicamentos controlados.
“Esses depoimentos esclareceram o caminho da medicação e evidenciaram que a estrutura do hospital contribuiu para o desfecho trágico”, afirmou Martins.
Ele destacou que a ausência de um farmacêutico exclusivo na farmácia do pronto atendimento pode configurar negligência institucional.
Ainda nesta terça-feira, será ouvido um membro da administração do hospital. A linha de investigação agora se volta para o dimensionamento de profissionais e possíveis falhas da gestão, que podem ter contribuído para o resultado fatal.
Apesar das revelações, o delegado descartou, por ora, pedidos de prisão.
“Essas informações podem indicar a eventual responsabilização de mais de uma pessoa da gestão do hospital”, concluiu.