CELEBRAÇÕES DA PÁSCOA

Domingo de Ramos marca início da Semana Santa e reforça mensagem de fé, reflexão e esperança

Celebração abre período central do calendário cristão, reúne fiéis em ritos simbólicos e destaca chamado à paz e à solidariedade, segundo religioso em Manaus

Natasha Pinto
29/03/2026 às 08:06.
Atualizado em 29/03/2026 às 08:06

(Fotos: Jeiza Russo e Paulo Bindá/A CRÍTICA)

O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa, período mais importante do calendário cristão. A data recorda a entrada de Jesus em Jerusalém, quando foi recebido pelo povo com ramos nas mãos, e abre caminho para as celebrações que culminam na Páscoa, quando os cristãos celebram a ressurreição.

Segundo o frei capuchinho Paulo Xavier, a celebração representa o começo de um tempo central para a fé cristã.

“O Domingo de Ramos, conhecido também como Domingo da Paixão, representa o grande sinal pelo qual entramos na Semana Santa, tempo em que contemplamos os últimos momentos de Jesus e sua entrada triunfal em Jerusalém”, explica.

A liturgia desse dia já apresenta textos que recordam o sofrimento de Cristo e seu diálogo com Deus Pai. Para o religioso, a Semana Santa não deve ser vista apenas como um momento de luto, mas como parte do mistério pascal que conduz à ressurreição, um percurso que revela o amor de Jesus pela humanidade e sua obediência ao Pai.

Chamado

A celebração também reúne sentimentos contrastantes: de um lado, a alegria da multidão que acolhe Jesus; de outro, o anúncio da paixão e da morte. “A Semana Santa conjuga o pranto, a dor e as lágrimas, que depois se convertem na alegria de contemplar o Cristo ressuscitado”, afirma o frei, ao destacar que a fé cristã reconhece que a ressurreição vem depois da cruz.

Durante a celebração, os fiéis levam ramos para serem abençoados, gesto que recorda a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Conforme explica o religioso, o povo acolheu Cristo com ramos em sinal de alegria diante daquele que chegava como rei, mas um rei que se manifesta no serviço, no amor e na entrega pela humanidade.

Tradição de guardar os ramos abençoados mantém a mensagem da Semana Santa viva. Foto: Nilton Ricardo/A CRÍTICA

 Após a celebração, muitos desses ramos são levados para casa e colocados em portas, oratórios ou espaços de oração. O gesto ajuda a manter viva a fé no cotidiano.

“Ao olhar aquele sinal, mesmo quando o ramo já está ressecado, lembramos que a vida humana também passa pela dor e pelo sofrimento, mas a esperança se renova na fé na ressurreição”, destaca.

Frei Paulo Xavier destaca que o diálogo é a única arma legítima para a convivência

 A Semana Santa segue com as celebrações do Tríduo Pascal, iniciadas na Quinta-feira Santa com a missa da Ceia do Senhor e o rito do lava-pés. Para o frei Paulo Xavier, esse período deve ser vivido com recolhimento e espiritualidade. “O Tríduo Pascal é um momento muito importante da nossa fé e precisa ser vivido na dimensão espiritual, no silêncio e na contemplação do mistério de Jesus”, afirma.

No Brasil, o Domingo de Ramos também é marcado pela Coleta da Solidariedade, ligada à Campanha da Fraternidade. Neste ano, a reflexão propõe atenção à questão da moradia e ao compromisso com pessoas em situação de vulnerabilidade.

A celebração deste ano também desperta expectativa entre os católicos por marcar o primeiro Domingo de Ramos do papa Leão XIV à frente da Igreja. Para o frei Paulo Xavier, a mensagem do pontífice deve reforçar um chamado que já aparece em seus primeiros posicionamentos.

“Não é com armas que nós vamos consolidar a paz, mas no diálogo, no respeito e na compreensão entre os povos”, afirma o religioso, ao comentar que a mensagem do papa tende a destacar a busca pela paz e a atenção aos mais pobres.

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