Operação com Funai e Exército também recolheu armas, madeira e animais silvestres no AM
(Foto: Divulgação)
Mais de 500kg de pescado ilegal foram apreendidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas, em março deste ano.
A Operação Wahanararai, desencadeada em conjunto com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Exército Brasileiro foi desencadeada no último mês em áreas consideradas estratégias como os rios Javari, Curuçá, Ituí e Itacoaí. O resultado foi a apreensão de 545 kg de pescado oriundo de atividades irregulares, incluindo espécies protegidas ou capturadas em desacordo com a legislação.
Os agentes também apreenderam três armas de fogo, 200 braças de malhadeiras (redes de pesca), uma embarcação, oito motosserras e 17 metros cúbicos de madeira serrada de origem ilegal. As equipes identificaram ainda a prática de caça ilegal, com a apreensão de 17 animais silvestres abatidos, entre mamíferos, aves e répteis.
O superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo, disse que os crimes configuram um cenário de forte pressão de invasores em terras protegidas de povos originários, especialmente daquelas etnias isoladas. As medidas de enfrentamento tem o objetivo de cessar as agressões a essas comunidades e mitigar o avanço de impactos ambientais de práticas criminosas.
Ao todo, foram aplicadas multas que somam aproximadamente R$ 55 mil. A operação faz parte de uma estratégia contínua de atuação do Ibama em parceria com a Funai e com apoio das Forças Armadas, voltada à ampliação da presença do Estado em áreas remotas e à garantia da proteção ambiental e territorial.
Indígena Vale do Javari está localizada no extremo oeste do Amazonas, na fronteira com o Peru, e é uma das maiores terras indígenas do Brasil em extensão territorial. A região abriga a maior concentração de povos indígenas isolados do mundo, além de apresentar elevada biodiversidade, com ecossistemas preservados da Amazônia.
O território é marcado por uma complexa rede de rios e áreas de difícil acesso, o que contribui tanto para sua conservação quanto para os desafios de fiscalização.
Apesar de sua relevância socioambiental, o Vale do Javari enfrenta pressões constantes de atividades ilegais, como pesca predatória, caça, extração ilegal de madeira e garimpo. A proteção da área é considerada estratégica para a conservação da biodiversidade amazônica e para a garantia dos direitos dos povos indígenas, assegurados pela Constituição Federal. Nessas terras, o uso dos recursos naturais é exclusivo das comunidades indígenas, devendo ocorrer de forma sustentável e voltada à sua subsistência física e cultural.