No primeiro trimestre, o País ganhou mais de um milhão de novos eleitores com idades entre 15 e 18 anos
Nas últimas eleições, o País registrou o menor nível de participação de adolescentes em 30 anos (Foto: Divulgação)
Neste ano, a Justiça Eleitoral registrou um dado alentador: no primeiro trimestre, o País ganhou mais de um milhão de novos eleitores com idades entre 15 e 18 anos, o que demonstra aumento no interesse dos jovens pela política. Trata-se de um fato altamente positivo, principalmente considerando que, nas últimas eleições, o País registrou o menor nível de participação de adolescentes em 30 anos. A crescente avaliação negativa a respeito da classe política foi apontada entre os principais motivos para esse desinteresse, que é especialmente preocupante quando consideramos que os adolescentes de hoje serão os gestores públicos, trabalhadores, eleitores e cidadãos das próximas décadas.
A melhor forma de melhorar a qualidade da classe política é exatamente participando do processo democrático. Quanto mais pessoas genuinamente interessadas em concorrer a cargos públicos eletivos, movidos pela vontade de contribuir de forma positiva para a sociedade, maiores serão as chances de melhora nos quadros do Legislativo e do Executivo. O interesse dos jovens é essencial nesse processo. Há uma percepção generalizada de que a política em si é algo ruim, negativo, impregnado de corrupção e desvinculado das reais necessidades da população. Como toda generalização, esta também se equivoca. É por meio da política que a sociedade se organiza e se desenvolve – ou se desorganiza e retrocede. Omitir-se da política também é uma forma de participação, quando as pessoas abrem mão de dar sua contribuição e permitem que outros tomem as decisões que serão determinantes para todos.
Uma forma de contribuir para o incremento do interesse dos jovens pela política seria a inclusão desse debate nas escolas, ainda no ensino fundamental, como parte relevante da atividade escolar. É claro que tal iniciativa deve ser livre de influências partidárias ou ideológicas, sem reduzir o papel das legendas ou ignorar a pluralidade de motivações políticas. Em poucas décadas teríamos uma geração muito mais consciente de seu papel na sociedade e talvez uma classe política melhor preparada e realmente comprometida com o interesse público.