Em Manaus, de acordo com a classificação do IBGE, as favelas estão distribuídas por todas as zonas da cidade, com destaque para as zonas Leste e Norte
(Foto: Reprodução)
Quando se fala em favelas, logo vem à mente a imagem de habitações precárias, ruas estreitas e tortuosas nos morros do Rio de Janeiro. Mas esse tipo de ocupação informal do solo não é exclusividade da Região Sudeste. Desde que a primeira favela surgiu, no final do século XIX, no Morro da Providência, na capital carioca, esse “modelo” se espalhou por todo o País, inclusive Manaus, que se destaca por ser a cidade brasileira onde as áreas de favelas mais cresceram nos últimos 40 anos, segundo o MapBiomas.
Uma favela é caracterizada pela ocupação irregular do solo – geralmente, nascem de invasões –, precariedade de serviços públicos e de infraestrutura urbana. Em Manaus, de acordo com a classificação do IBGE, as favelas estão distribuídas por todas as zonas da cidade, com destaque para as zonas Leste e Norte. Ainda de acordo com o instituto, mais da metade da população manauara vive em favelas e comunidades urbanas.
As favelas são resultado direto da ausência de planejamento urbano. Uma das mais famosas de Manaus foi a antiga Cidade Flutuante, desmantelada em 1967, exatamente no momento que a favelização ganharia mais velocidade com o advento da Zona Franca. A chegada de milhares de pessoas em busca de trabalho em tão pouco tempo acelerou o crescimento desordenado da periferia, desenhando os contornos atuais da cidade. O poder público fez vista grossa porque a classe política se beneficiava da “indústria da invasão”. Permitia-se que as famílias se instalassem, inclusive em áreas de risco, para que os políticos pudessem, depois, posar como os “heróis” que trazem asfalto e infraestrutura básica, ainda que precária. Esse processo continua ainda hoje.
Reverter tal cenário é um desafio gigantesco para Manaus. Especialistas e gestores públicos apontam para um conjunto de ações integradas que vão além da construção de casas, focando na urbanização, regularização e prevenção. A indústria da invasão tem que acabar, e um amplo projeto de urbanização tem que ser desenvolvido e implementado, o que requer investimentos pesadíssimos. O Prosamin foi um passo importante, mas outros precisam ser dados.