Editorial

Ameaça dos microplásticos na Amazônia

Estudo alerta para despejo de 182 mil toneladas de resíduos plásticos por ano nos rios amazônicos

acritica.com
04/10/2025 às 10:20.
Atualizado em 04/10/2025 às 10:20

(Foto: Divulgação)

A contaminação do planeta por microplásticos é generalizada, profunda e crescente. Esses pequenos fragmentos plásticos estão presentes em todos os ambientes da Terra, desde os pontos mais altos até as profundezas oceânicas. Na Amazônia já existem preocupantes evidências de contaminação, que colocam em risco o equilíbrio da fauna, da flora e a saúde das populações ribeirinhas em um nível de gravidade ainda desconhecido. Trata-se de um problema que, apesar de requerer atenção máxima e imediata, tem sido ignorada pela maioria dos países e da população de modo geral.

O assunto será um dos temas em discussão durante a COP-30, em Belém-PA, onde se espera que alguns passos sejam dados rumo a uma atuação global para conter a deposição inadequada de plásticos no ambiente. A discussão em tal fórum global é essencial, uma vez que o enfrentamento precisa ocorrer por meio de ações conjuntas entre as diversas nações.

Em 1907, o desenvolvimento do primeiro plástico totalmente sintético e comercializável revolucionou o consumo em todo o mundo. Hoje, quase 120 anos depois, há uma imensa ilha de resíduos plásticos com mais de três vezes o tamanho da França crescendo diariamente no Oceano Pacífico. Daqui a 500 anos, ela ainda estará lá. Já ultrapassamos o ponto crítico: os microplásticos já estão em todos os ambientes.

Na Amazônia, parte dos pássaros já constrói seus ninhos usando fibras artificiais; a Universidade Federal do Pará (UFPA) aponta que 182 mil toneladas de resíduos plásticos são despejados nos rios amazônicos por ano. Tal fato é especialmente preocupante, considerando que ribeirinhos dependem diretamente dos rios para obter água e alimentos. As consequências do acúmulo de microplásticos no organismo ainda não são plenamente conhecidas. Não vamos esperar que uma tragédia de proporção global ocorra para tomar atitudes concretas.

Já existem alguns substitutos biodegradáveis para o plástico, no entanto, nenhum está pronto para produção em larga escala, seja por falta de testes adicionais ou por desinteresse da própria indústria. O fato é que precisamos nos apressar na busca por soluções antes que seja tarde demais.

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