Editorial

As mulheres querem respostas do Estado para garantir a vida

No dia 8, quando mulheres estavam nas ruas do país em manifestações em defesa da vida das mulheres, em Carauari, a 789 quilômetros de Manaus, mais uma mulher foi assassinada, pelo marido.

acritica.com
01/04/2026 às 07:50.
Atualizado em 01/04/2026 às 07:50

(Foto: Agência Brasil)

O Estado do Amazonas é o segundo em nível nacional com o maior número de assassinato de mulheres e de violência doméstica contra a mulher. No ano passado, foram registrados 1.023 que na comparação com o ano de 2024 representa aumento de 69%. No dia 8, quando mulheres estavam nas ruas do país em manifestações em defesa da vida das mulheres, em Carauari, a 789 quilômetros de Manaus, mais uma mulher foi assassinada, pelo marido.

A situação estadual exige posicionamento firme na deliberação de ações que tenham permanência e vigor no enfrentamento à violência contra a mulher com envolvimento real dos governos nos três níveis (federal, estadual e municipal). Há um espaço, nos municípios, ocupado principalmente por uma estrutura que contempla a violência de gênero e até naturaliza.

As políticas públicas de caráter nacional são desconfiguradas ou mesmo desmanteladas quando nos municípios por uma série de motivos. O principal deles é a falta de determinação em valorizar a pauta da violência doméstica e da violência estrutural contra as mulheres. Os espaços de poder, como as câmaras municipais e as prefeituras, podem e devem promover iniciativas de enfrentamento, organizar e implementar, a partir das especificidades dos municípios, políticas públicas que tenham como ponto central a prevenção e o combate à violência doméstica.

Tais iniciativas, difíceis de serem percebidas nos municípios, não deveriam ser tratadas como ocasionais. Esse é outro aspecto, a falta de permanência dos programas impacta na consolidação de iniciativas que promovam a cultura do respeito e do cuidado das mulheres. Com a marca do machismo que caracteriza a história brasileira e amazonense, o recuo ou o enfraquecimento das ações representam a vontade política de manter os meios pelos quais essa violência se concretiza.

Os números da violência no Amazonas parecem não incomodar as representações dos poderes. No domingo, as manifestações em Manaus chamavam atenção para as violências que o Estado não vê e se acumulam ano após ano. O pós 8 de março de 2026 exige respostas que demonstrem de fato uma outra postura diante da tragédia que mancha de sangue o Estado do Amazonas e das ameaças com as quais as mulheres vivem de modo cotidiano, sozinhas e desprotegidas.

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