EDITORIAL

Avanços e desafios

No Amazonas, o feminicídio segue elevado e a ausência de instrumentos do ente Estado em todos os municípios permanece como realidade

EDITORIAL
24/03/2022 às 09:23.
Atualizado em 24/03/2022 às 09:23

(Foto: Reprodução)

O ato de reconhecer a estrutura de violência exercida contra a mulher que persiste no Brasil e, de forma acentuada, no Amazonas, é uma das emergências da democracia. Enquanto mulheres forem violadas em seus direitos humanos, a própria experiência democrática estará fragilizada e vulnerável aos arranjos autoritários que sustentam a cultura de violência de gênero.

No Amazonas, o feminicídio segue elevado e a ausência de instrumentos do ente Estado em todos os municípios permanece como realidade. A modalidade de violência é quase regra de vida das mulheres e, desta forma, alimenta o sistema de cumplicidade que atrasa o cumprimento das leis ou as torna inoperantes.

Os avanços conquistados são importantes e se devem, em primeiro plano, pela luta das mulheres. Não há um indicador, nessas conquistas, de que a luta pode ter trégua, ao contrário, o que se verifica, a partir dos espancamentos, da violência psicológica e dos assassinatos, é a necessidade de reforçar a defesa da vida. As mulheres amazonenses estão sendo sobrecarregadas, sufocadas, transtornadas...

A atuação dos poderes e o déficit da presença da mulher neles, como no Legislativo e no Executivo, está marcada pelas atitudes patriarcais que se revelam, diariamente, nas percepções que membros desses poderes têm sobre as mulheres e a violência contra as mulheres banalizadas por frases e posturas. A maioria das autoridades, dos servidores públicos que atenta contra os direitos das mulheres não é punida, como estabelece a legislação vigente, e permanece exercendo suas funções.

Enquanto os atos de violência contra as mulheres forem tolerados pelos poderes e acatado por instituições o sistema permanecerá consentindo que mulheres sejam agredidas pelo racismo, por serem mulheres e compreendidas como propriedades de homens. A permanência do aparato público demarcado pelo machismo é uma das realidades que para ser alterada pede luta permanente de mulheres e homens corajosos e determinados a criar fissuras nas entranhas desses equipamentos e empreendimentos públicos e romper com os elos da opressão neles instaurados e reproduzidos.

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