editorial

Enfrentar o reajuste de preços exige criar redes

Alteração das alíquotas de importação no mercado internacional é apontada como uma das possibilidades

acritica.com
25/01/2025 às 08:40.
Atualizado em 25/01/2025 às 08:40

Alimentos estão com preços altos, as explicações são dadas e não resolvem o problema, que é baixar o preço. (Foto: Gerson Oliveira)

A reação do governo federal diante do aumento sucessivo nos preços dos alimentos e dos produtos de higiene mostra uma primeira iniciativa real para enfrentar a avalanche dos reajustes no valor das mercadorias de primeira necessidade para os brasileiros.

A alteração das alíquotas de importação no mercado internacional a fim de tornar mais barato produtos ora comercializados internamente com preços mais elevados é apontada como uma das possibilidades. Outras são de mobilizar os amplos setores da sociedade a fim de que sejam também ativos nesse enfrentamento. É preciso restaurar o vigor das comissões e programa de defesa do consumidor existentes nos estados.

Os alimentos estão com preços altos, as explicações são dadas e não resolvem o problema que é baixar o preço. E no meio desse jogo, determinados grupos de empresários fazem a festa tanto na elevação dos preços quanto em determinados tipos de “ofertas do dia” apresentando-as sob a grife de que essa é a maneira de contribuir com a sociedade brasileira. Esses empresários não abrem mão da margem de lucro mais elevada mesmo diante de cenário interno seja de dificuldades, o que vale é reajustar para cima e fomentar danos na governabilidade.

O espaço político de ação é complicado e está mais complexo, com participação de fatias expressivas de setores que fazem desse cenário o terreno para promover a distorção e a instabilidade cujos efeitos são imprevisíveis, historicamente amargos à população mais pobre.   

Cidades mais dependentes da importação seja do mercado interno ou do externo sofrem mais apertos com essa situação.  Daí a necessidade de avaliar e ampliar incentivos  programas como o da agricultura familiar, criação dos corredores e ou cinturões agrícolas nos centros urbanos e nas demais cidades.  Se o mercado permanecer como o senhor da tomada de decisão, o limite de será curto para o enfrentar o movimento da alta dos preços, pois, torna a maioria do país reféns dessa decisão.

O Brasil pode e tem como enfrentar a especulação, propiciar uma rede de pequenas iniciativas municipais e intermunicipais que garantam os alimentos com qualidade e preços decentes. Essas iniciativas não são inovadoras, estão aí há muito tempo e há uma ação de asfixia delas que é parte do modelo adotado. Em cidades da europas pequenos núcleos de produção hortifrutigranjeiro têm sido fundamentais diante do mercado.  

  

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