EDITORIAL

Feiras e mercados: espaços de bons negócios

As feiras envolvem importantes meios de sociabilidade, de manifestações culturais e de afetos

acritica.com
05/04/2022 às 07:17.
Atualizado em 05/04/2022 às 07:17

(Foto: ARQUIVO A CRÍTICA)

O programa de recuperação das feiras e dos mercados de Manaus deve ser compreendido para além da necessária revitalização desses espaços como ação de incremento da geração de postos de trabalho e de renda. As feiras envolvem importantes meios de sociabilidade, de manifestações culturais e de afetos.

Na atual realidade, a maioria das feiras e mercados da cidade expõe as marcas do abandono que acolhe a apatia como mecanismo de manutenção desse estado pelo entendimento de que é “assim mesmo”.  Não é e os permissionários, os comunitários e os agentes envolvidos com essa área podem ajudar a reanimar o segmento nas diferentes zonas em que está situado.

Há potencial reprimido tanto nas feiras quanto nos mercados. E quando o nível de empobrecimento da população está elevado, como o é agora, perceber e fazer funcionar com criatividade e responsabilidade essa potência seguramente é acionar um instrumento com amplas possibilidades de respostas em curto e médio prazo. Consumidores gostam de ir em feiras por várias motivações desde para comprar determinados produtos ao ressignificar o cotidiano.

Não se ignora as implicações produzidas no setor pelos empreendimentos supermercados e atacadões, de qualquer maneira, como é demonstrado em diferentes cidades do mundo, feiras e mercados ganharam mais funções e seus laços culturais foram aprofundados tornando-se também referências turísticas de lugares. Na Amazônia e, em particular no Amazonas ou ainda no recorte Região Metropolitana de Manaus, tais locais têm muito para oferecer e responder com bons resultados.

Submetidos a um sistema que os empurra para baixo, esses espaços convivem há décadas com a falta de planejamento que os inclua efetivamente nos calendários dos eventos comunitários. As reformas realizadas sequer podem assim ser chamadas, em muitos casos foram feitos remendos com pintura de má qualidade e os problemas de fundo desses locais permaneceram e foram aprofundados.

A conjuntura deste ano aponta para a emergência de cuidar e fazer funcionar feiras e mercados na perspectiva de coloca-los como pequenos centros de negócios que têm na comunidade a base e o alvo. Para isso, a recuperação desses locais precisa ser compreendida como algo que não se resuma na pintura, envolve pensar os empreendimentos por dentro e por fora, no seu entorno e nas suas conexões comunitárias, divulgar nesse âmbito e incentivar as visitas, a aquisição de produtos neles existentes.    

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