Ao que parece, falta ao Brasil, assim como à maioria dos demais países, a disposição real de promover alguma transformação significativa.
(Foto: Bruno Peres/Agência Brasil)
O Brasil pontuou aspectos de inegável relevância socioambiental durante a abertura da cúpula dos líderes, ontem, em Belém. O presidente Lula abordou a necessidade urgente de promover a transição da matriz energética, substituindo o uso de combustíveis fósseis por fontes renováveis; reverter o desmatamento e angariar recursos para destinar a tais objetivos. Ocorre que o presidente destacou pontos óbvios, que são discutidos há décadas, sem, contudo, indicar ações concretas. Pelo contrário, pesa sobre o governo brasileiro o fato de ter recebido recentemente autorização para prospectar petróleo na margem equatorial, no Amapá, o que demonstra a intenção sólida de ampliar o uso de combustíveis fósseis em vez de diminuí-lo no futuro próximo.
Ao que parece, falta ao Brasil, assim como à maioria dos demais países, a disposição real de promover alguma transformação significativa. Esta tem sido a opinião de parte dos analistas que veem a COP-30 como um evento muito mais midiático do que realmente propositivo e com potencial inovador. Estamos prestes a iniciar a trigésima edição da Conferência do Clima, a primeira no Brasil. Ao longo dessas três décadas, muito foi discutido, protocolos foram criados – como o de Kioto –, acordos foram assinados, como os de Marrakesh e de Paris; fundos climáticos e mecanismos de controle foram estabelecidos... Mas é preciso admitir que o objetivo principal não está sendo atingido.
Já são 30 anos em que os líderes mundiais se reúnem para discutir medidas de enfrentamento às mudanças climáticas, mas a temperatura média do planeta continua aumentando, e fenômenos naturais estão mais severos a cada ano, com secas extremas e cheias recordes, entre outras ocorrências.
De qualquer modo, o fato é que o evento não deixa de ser uma grande oportunidade, até mesmo para discutir sua própria ineficiência e buscar uma real mudança de rota. E como será possível mudar de rumo sem o envolvimento da maior potência mundial? Estados Unidos não vêm, China mandará apenas uma delegação, Argentina faz questão de ignorar o evento...
A COP-30 não pode ser mais um encontro vazio de real comprometimento, enquanto o tempo para agir se esvai.