Empresa terá troca de comando
A nova troca no comando da Petrobras – o agora ex-presidente Silva e Luna deu lugar a Adriano Pires – causa alívio no mercado exatamente por dar a certeza de que a gestão da estatal continuará sem mudanças drásticas. O fato é que a troca de agora ocorre pela mesma razão que causou a ascensão de Luna no ano passado: o desejo do governo de mostrar que é sensível à alta nos preços dos combustíveis. É mais uma sinalização de posicionamento do que um movimento visando alguma mudança no modelo de gestão da empresa. Há um alívio pelo fato de que o presidente da República – movido por preocupações eleitorais - vinha dando claros sinais de que poderia haver algum tipo de intervenção na estatal, dando à atuação da empresa um direcionamento mais social do que econômico.
Algo assim seria um desastre para a estatal em si e para a já combalida credibilidade do Brasil no cenário internacional; um passo perigoso rumo ao populismo, o mesmo que afundou a PDVSA, estatal venezuelana do petróleo, que em função de seu uso político, hoje tem uma relevância nula no mercado de petróleo. Esse não pode ser o caminho da Petrobras e, ao que tudo indica, não será. Mas, e o problema imediato da população, que sofre no bolso os efeitos da alta nos preços dos combustíveis? Crescem as discussões em torno da criação de um “fundo estabilizador”, um mecanismo econômico que seria acionado em momentos de alta nos preços do petróleo, de modo a amenizar os impactos para o consumidor final. A ideia é encampada pelo novo presidente da Petrobras e conta com simpatizantes na equipe econômica e entre parlamentares.
O problema é que ninguém sabe ainda de onde tirar dinheiro para compor o tal fundo. Uma das possibilidades mais faladas é que parte dos dividendos que a Petrobras paga ao governo, enquanto acionista majoritário, seja direcionada para a composição do fundo. Mas tal solução precisaria de uma engenhosa construção orçamentária, já que esse dinheiro, atualmente, já tem destinação certa, e todos sabem que não adianta cobrir um santo para descobrir outro. Enquanto não se chega a um consenso, segue a incerteza quanto aos preços dos combustíveis e o efeito cascata sobre praticamente todos os produtos, alimentando uma perigosa escalada inflacionária.