No Amazonas, o ano que hoje se encerra oferece a possibilidade de aprendizados, para quem assim desejar ou de manter posturas profundamente desastrosas tanto pessoal quanto grupal
Seca e a fumaça marcaram grande parte de 2024 (Foto: Junio Matos)
É o último dia do ano de 2024. Um tempo tradicionalmente colocado para balanço pessoal e coletivo, da cidade e do País onde se vive. Os bons resultados, as experiências mais amargas, as dores, as alegrias e, no meio, os projetos para o novo ano.
No Amazonas, sem minimizar a porção do Brasil, o ano que hoje se encerra oferece a possibilidade de aprendizados, para quem assim desejar ou de manter posturas profundamente desastrosas tanto pessoal quanto grupal: o fogo, a fumaça e a seca são algumas das experiências geradoras de sofrimento e de morte até agora sem oferecer respostas mais positivas. Ao contrário, já se fala abertamente à espera do verão amazônico para retomar as queimadas de áreas verdes.
Uma lição que fica é a de somar com os que querem ver a legislação ser cumprida e os que a ignoram punidos. Ou seja, um maior número de indivíduos sensibilizados na defesa da Natureza e, por consequência, dos humanos que nela vivem. É a soma desses outros guardiões que pode provocar movimento amplo de enfrentamento aos que se sentem livres para continuar cometendo crimes ambientais.
Nas áreas de educação e saúde, o Estado encerra 2024 com indicadores preocupantes e reivindicações para mudar a realidade: melhorar a atenção à saúde integral de homens, mulheres e, no específico gritante, das populações indígenas, negras e quilombolas. No geral, doenças que estavam sob controle e retornaram – tuberculose, AIDS, poliomielite - geram preocupação e desafiam programas que precisam ser reestruturados.
Idosos, jovens, comunidade LGBTQIAPN+ pedem ações permanente de inclusão e de qualificação dos serviços que existem e necessitam ser melhorados. Permanece um tipo de violência sistêmica que alija esses segmentos.
Quando o recorte é para a capital, Manaus deixa resultado de maior desigualdade entre os seus habitantes. Uma cidade que possui ilhas de infraestrutura em funcionamento bom. Em contraponto a espaços enormes destinados à multidão que todo dia pede para ser percebida e tratada com dignidade. A violência faz morada, se tornou companhia e determina comportamentos cotidianos.
Os indicadores do Amazonas quando comparados aos demais estados brasileiros são negativos. O Estado aparece entre os primeiros lugares do que é negativo e esse tipo de ranking deveria ser tratado com atenção pelos governos para que estabeleçam ações estratégicas com potencial de mudança. O ano de 2025 é um tempo para fazer isso.