De acordo com o Painel do Varejo de Livros do Brasil, mais de 60 milhões de unidades foram vendidas em 2025, cerca de 5 milhões a mais que no ano anterior.
(Foto: Agência Brasil)
É alentador o resultado da pesquisa que revela aumento significativo no consumo de livros no Brasil. A alta nas vendas aquece um mercado editorial em transformação, onde páginas de papel competem com publicações digitais que ocupam mais espaço a cada dia. A pesquisa em questão foi realizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) em parceria com a Nielsen BookData. O bom momento do mercado editorial é confirmado pelo volume de vendas. De acordo com o Painel do Varejo de Livros do Brasil, mais de 60 milhões de unidades foram vendidas em 2025, cerca de 5 milhões a mais que no ano anterior.
Apesar do avanço, é fato que o número de leitores em relação à população ainda é baixo. No ranking mundial de leitura, o país ocupa a 34ª posição, mas há outras fontes baseadas em testes internacionais que colocam o Brasil na 52ª posição. Segundo tais fontes, Indonésia, Índia, Colômbia e Irã, entre tantas outras nações estão à frente do Brasil no ranking. Menos da metade da população brasileira tem o hábito de ler livros. Diversos fatores contribuem para isso; especialistas citam o alto custo das publicações, deficiência educacional na formação dos leitores, a própria cultura de oralidade no Brasil e, principalmente, pouco estímulo na infância.
Mas o recente aumento no número de leitores e no consumo de livros mostra que há muito potencial para melhorar no Brasil. Não é um fenômeno que vá ocorrer da noite para o dia, mas, se certas medidas forem tomadas, em longo prazo, a realidade da leitura no País poderá ser completamente diferente. Para isso, é preciso encontrar formas de baratear o custo dos livros sem comprometer a viabilidade do mercado editorial. Não é racional que livros digitais tenham preços, frequentemente, muito próximos de suas versões físicas, considerando que o custo de produção dos e-books é muito menor. As editoras fazem isso na tentativa de proteger o mercado dos livros impressos, mas a estratégia acaba limitando as vendas.
De qualquer forma, a mudança mais importante está no estímulo à leitura na infância. Se crianças em idade escolar forem estimuladas a ler, certamente desenvolverão o gosto pelos livros e se tornarão ávidos leitores quando adultos.