Editorial

População de rua exige ação articulada entre os governos

De 2019 a 2022, a população em situação de rua no Brasil cresceu 38%, o que corresponde a 281.472 pessoas, de acordo com levantamento feito pelo Ipea

acritica.com
21/03/2023 às 07:51.
Atualizado em 21/03/2023 às 07:51

(Foto: Arquivo A CRÍTICA)

Em quatro anos, de 2019 a 2022, a população em situação de rua no Brasil cresceu 38%, o que corresponde a 281.472 pessoas, de acordo com levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) incluído na publicação preliminar Estimativa da População em Situação de Rua no Brasil.

Para o pesquisador do Ipea, Marco Antônio Carvalho Natalino, autor do estudo, o crescimento da população em situação de rua se dá em ordem de magnitude superior ao crescimento vegetativo da população. Além disso, esse crescimento se acelerou nos últimos anos.

Entre as anotações feitas nesse estudo inédito, uma chama atenção, a de que o Brasil precisa evoluir para uma contagem censitária mais precisa e efetiva da população em situação de rua. O que tem sido feito são amostras proporcionais, em algumas cidades, as prefeituras não dispõem de dados.

Nesse contexto, uma série de ações envolvendo as diferentes áreas governamentais precisa ser concebida como programa permanente de enfrentamento à situação.

Quais são as causas dos milhares de brasileiros que moram na rua é uma das perguntas e as respostas poderão apresentar um mapa dos diferentes segmentos que se encontram nessa condição. A partir desse mapeamento, a atenção a essa população terá maior chance de alcançar a diversidade dela.

Prevalece no Brasil, quando se trata da política pública às populações em situação de rua, o caráter repressivo-punitivo que é prejudicial e é incompetente para o enfrentamento.

Na maioria das cidades brasileiras, o perfil de atuação nesse tema se repete e, com frequência, gera outros problemas graves por seguir pela linha do não respeito aos direitos fundamentais das pessoas moradoras de rua.

É a noção dos sem direito que ainda vigora ao ponto de haver certo consenso quanto à ideia de que moradores de rua devem se contentar com qualquer ato.

Permanece a percepção social, política, econômica e governamental de que esse grupo de humanos é um problema e para resolver a saída é retirá-lo à força da visão pública.

Na atualidade, um número expressivo de homens, mulheres, crianças, pode ser visto, todos os dias, debaixo dos viadutos, nos semáforos, nas praças, em frente de lojas e supermercados.

Assegurar atendimento integral a essas pessoas é dever do Estado e, ao fazê-lo, significa responder de outra maneira ao desafio de tornar as cidades espaços de práticas saudáveis no lidar com os mais vulneráveis, e de reivindicar a condição de cidades/país que atuam com o mecanismo de desenvolvimento responsável.

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