Editorial

Preços da cesta básica e o direito à alimentação diária

O preço da cesta básica de Manaus, em agosto, teve queda de -2,60% em relação a julho e representou custo de R$ 657,22

acritica.com
07/10/2025 às 07:47.
Atualizado em 07/10/2025 às 07:47

(Foto: Agência Brasil)

A queda de preço de alguns dos produtos que compõem a cesta básica já pode ser percebida em supermercados de Manaus. Ainda assim, do total da renda do trabalhador assalariado da capital, 46,81% está comprometido pela aquisição dos alimentos. No mês de julho, o porcentual correspondia a 48,06% da renda líquida (já descontados os 7,5% da Previdência Social).

Os números são do levantamento nacional sobre preços dos alimentos da cesta básica, que pela primeira vez incluiu as 27 capitais do país — antes eram 17 delas. O estudo é realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), referente a agosto de 2025.

A cesta básica é composta por 13 itens classificados como fundamentais para assegurar a alimentação de quatro pessoas por um mês. São eles: carne, leite, feijão, arroz, farinha de trigo, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga. Também são incluídos produtos de higiene pessoal.

De acordo com a pesquisa, o preço do açúcar diminuiu em 22 capitais entre julho e agosto. As principais reduções foram registradas em Manaus (-5,84%) e Cuiabá (-5,19%). No acumulado dos últimos 12 meses, foram registradas elevações nos preços de cinco dos 12 produtos: café em pó (68,36%), tomate (55,82%), óleo de soja (14,61%), carne bovina de primeira (11,53%) e manteiga (3,69%). Houve redução nos preços médios do arroz agulhinha (-21,26%), açúcar cristal (-10,96%), farinha de mandioca (-2,81%), feijão carioca (-2,65%), pão francês (-1,82%), banana (-0,75%) e leite integral (-0,70%).

O preço da cesta básica de Manaus, em agosto, teve queda de -2,60% em relação a julho e representou custo de R$ 657,22, considerando o preço médio dos produtos. No último quadrimestre, entre abril e agosto de 2025, a cesta diminuiu -2,17%.

Nos supermercados — um dos principais locais de compra dos consumidores —, a carne bovina é um dos alimentos que resiste no preço mais elevado, embora com leve queda. Para consumidores, comprar a carne exige acompanhar as promoções que redes supermercadistas realizam uma vez por semana e, mesmo assim, deixar de levar outro alimento ou produto de limpeza pessoal ou de casa. O café em pó mantém o preço elevado, o mesmo sendo verificado na versão solúvel.

O quadro mostra que uma família de quatro pessoas – considerada como média nacional – que recebe o salário mínimo tem enorme dificuldade na aquisição dos alimentos básicos.Editorial

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