Sim e Não

Prefeito entrega carta de renúncia

O ato não é apenas um “rito formal”. É o marco de uma transição calculada, desenhada por David Almeida há pelo menos dois anos

André Alves
31/03/2026 às 07:55.
Atualizado em 31/03/2026 às 07:55

(Foto: Junio Matos)

1.915 dias depois de assumir pela primeira vez a Prefeitura de Manaus, em 1º de janeiro de 2021, David Almeida (Avante) volta à Câmara para, desta vez, encerrar um ciclo. Nesta terça-feira, 31 de março de 2026, o prefeito entrega ao Legislativo Muncipal a sua carta de renúncia. O ato não é apenas um “rito formal”. É o marco de uma transição calculada, desenhada por David Almeida há pelo menos dois anos, com olhos voltados para 2026 e que o posiciona como player em nível estadual.

Saldo  - A passagem de David pelo cargo foi marcada por avanços e ruídos persistentes. De um lado, a gestão buscou capitalizar entregas na área de segurança – com concurso e armamento da Guarda Municipal –, ações de infraestrutura, investimentos em grandes eventos e a construção de novos espaços de lazer.

Arranhões  - Por outro lado, a gestão conviveu com críticas recorrentes à saúde básica, gargalos históricos na mobilidade e episódios que desgastaram a imagem da administração. Entre eles, a viagem ao Caribe durante o Carnaval de 2025, alvo de investigação. Em fevereiro, a operação Erga Omnes trouxe novo desgaste a David.

Ruptura  - No campo político, David jogou em várias frentes. Foi aliado do senador Omar Aziz (PSD) até o final do ano passado, mas disse ter se sentido “ameaçado” pelo parlamentar, o que teria sido definitivo para ele próprio lançar sua candidatura ao governo. Antes, havia lançado a filha, Aryel Almeida, como peça no jogo majoritário, movimento que gerou desconforto até entre aliados.

Cerco  - Há ainda um componente sensível que circunda a decisão do prefeito: o uso político de decisões institucionais. Nos bastidores, adversários articulam manter temas como a análise de contas antigas de David sob suspense, como forma de pressão permanente.

Endosso  - De passagem pelo Amazonas no fim de semana, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, bateu o martelo sobre o desenho feito pelo governador Wilson Lima para a Eleição 2026. Fez questão, inclusive, de dar fim à especulação de que Wilson voltaria atrás na decisão de não se lançar candidato ao Senado. Rueda sustentou à imprensa que o governador fica até o final.

Unção  - A pré-candidata ao governo do Amazonas, empresária Maria do Carmo Seffair, participou no sábado (28), em São Paulo, da celebração de 28 anos da Igreja Mundial do Poder de Deus, a convite do líder da denominação religiosa, Valdemiro Santiago.

Presenças -  Estiveram presentes no evento Tarcísio de Freitas, Rodrigo Manga e Marconi Perillo, além de parlamentares. Durante a cerimônia, Valdemiro mencionou a trajetória da pré-candidata e fez referência ao Amazonas.

Cachê  - Vai custar R$ 1,2 milhão a contratação do cantor Wesley Safadão para a XXIII Festa da Castanha, na cidade de Tefé. A oficialização consta em extrato publicado no Diário Oficial do município.

Prioridades -  O uso da inexigibilidade de licitação, previsto na Lei nº 14.133/21, é uma prática comum para esse tipo de contratação, porém, costuma gerar questionamentos sobre critérios de escolha e prioridade de gastos públicos.

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