OPINIÃO

Sobre as cores dos fios e das linhas de 2024

Diante de nós estão fios e linhas, ora enroscados ora curvados como se fossem notas das nossas vidas alinhadas e desalinhadas pelo cotidiano da aventura de viver

Ivânia Vieira
03/01/2024 às 20:01.
Atualizado em 03/01/2024 às 20:01

(Foto: Junio Matos)

O tempo novo, reanimado pelos números 2024, cria possibilidades de tecer como fazem as mulheres das rendas, da confecção de punhos de rede e as costureiras. Elas esticam bem as pernas, usam os dedos dos pés, das mãos, em manuseio ágil, dão forma as coisas. Significam a vida entre linhas e fios.

Diante de nós estão fios e linhas, ora enroscados ora curvados como se fossem notas das nossas vidas alinhadas e desalinhadas pelo cotidiano da aventura de viver. Um tempo feito de 12 meses e 366 dias nem sempre percebidos como portas, janelas ou brechas que podem ser percebidas como estreitas ou largas dependendo da chave acionada por nossas mentes e corações.

Há uma porção humana adoecida, mergulhada na bacia da angústia que atravessa o tempo cultivada como se fosse receita em favor da redução humana, da aposta na ação da nuvem escura e pesada como obstáculo ao exercício de voos criativos e da busca do conhecimento.

O modelo de mundo promove as doenças, cria uma multidão de pessoas para a cultura do sofrimento, consumidoras em profundo estágio de dependência, como contaminados por bactéria que se alastra e faz vítima em ritmo espetacular. O relógio da espetacularização do pessoal e do produtivismo empreendedor é cada vez mais célere e moedor de gente.

Um novo ano é trama da história da humanidade inserido no abano das celebrações. Acende o fogo da vida e reacende as promessas, banhadas em gotas de esperança por acontecimentos bons, bonitos e justos. É um baile combinado pelo final de dezembro e tantos fusos horários capaz de sintonizar humanos do Oriente e de Ocidente, de cada aldeia, nas ruas, nas praças, nas casas, à beira-mar, nas igrejas e nos mais distintos lugares para reafirmar um sonho, um desejo, um posicionamento de vida na vida.

A Natureza nos espia, se coloca como interlocutora e tenta engatar conversas semeadoras do bem-viver. Estamos, nós mulheres, as juventudes, os povos atacados, fadigados com as maldades desse sistema-mundo. Queremos viver! Tomara decidamos desde já esticar os fios que tecem a valorização da vida de humanos e não humanos, na feitura de um bom acordo com a Mãe Natureza.

Um tipo de pedido de desculpas por esse comportamento violentamente destrutivo carregado nas etiquetas grudadas no corpo e na atitude demonstrado todos os dias na rua, no trânsito, na escola, no trabalho, nos grupos físicos e virtuais, carregados, em maioria, do ódio que lota hospitais e quartinhos de despejo.

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