Chorou ao citar a esposa e os filhos, e transformou o ato em prestação de contas minuciosa, com números históricos, recorrendo ao verbo “servir” para definir a própria administração
(Foto: Jeiza Russo)
Ao ler a sua última Mensagem Governamental, ontem, na Assembleia Legislativa do Estado (ALE/AM), o governador Wilson Lima (União) adotou discurso de fechamento de ciclo, com tom emotivo. Chorou ao citar a esposa e os filhos, e transformou o ato em prestação de contas minuciosa, com números históricos, recorrendo ao verbo “servir” para definir a própria administração. Ele resumiu em uma frase o que considerou um legado da gestão: “Enxergar as pessoas que antes não eram vistas”.
Plateia - Chamou a atenção a quantidade de pessoas que ocuparam a galeria da Assembleia para conferir – e aplaudir – o discurso de Wilson Lima. Muitas desembarcaram no local de ônibus fretado.
Recepção - Aliás, ao chegar ao Legislativo Estadual, em frente ao espelho d’água da Casa, Wilson foi recepcionado por dezenas de pessoas, que seguraram cartazes e balões. No tapete vermelho, abraçado pelo presidente da Casa, Roberto Cidade (União), e pelo vice-governador Tadeu de Souza (Avante).
Elogio - Tadeu, aliás, ganhou afagos de Wilson durante a solenidade. O governador citou que o vice tocou os mutirões de cirurgia de catarata no interior do Amazonas e o agradeceu pela “parceria, disposição e desprendimento”.
Balanço - Entre os indicadores exaltados, Wilson registrou “a menor taxa de homicídios em 20 anos no Amazonas”. Também citou o programa Amazonas Meu Lar como “a maior política habitacional da história do estado”, com 29 mil famílias atendidas.
Ações - O governador ainda destacou a criação do auxílio estadual, em 2021, e programas Prato Cheio, CNH Social e ações voltadas a produtores rurais.
Sintomático - Ao contrário dos anos anteriores, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ/AM) não enviou representante à leitura da última Mensagem Governamental de Wilson Lima. O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE/AM) fez o mesmo.
Memória - Em 2025, o TJ/AM foi representado na solenidade pela desembargadora Graça Figueiredo. Já o TRE/AM enviou à mesa de autoridades a desembargadora eleitoral Giselle Falcone.
Resposta - Procurado, o TJ/AM informou por meio de nota que a ausência de representante na leitura da Mensagem Governamental ocorreu porque o horário da solenidade coincidiu com a Sessão do Tribunal Pleno, cuja pauta incluía matérias que exigem quórum qualificado e processos relacionados à escolha de membros do TRE/AM. A direção do TRE enviou justificativa semelhante.
Presença - Juiz distante do território tende a decidir afastado da realidade social. O raciocínio foi apresentado pelo ministro do STJ, Mauro Campbell, na abertura da sessão do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Ele enfatizou a necessidade de presença efetiva de magistrados nas comarcas, especialmente no interior.
Conduta - Corregedor Nacional de Justiça, Campbell defendeu um Judiciário orientado pela “decência administrativa” e pelo diálogo. E disse que a presença física do juiz no fórum é essencial para conhecer o ambiente institucional e qualificar decisões mais responsáveis e sensíveis ao contexto local.