RUMO A PARINTINS!

Festival Folclórico de Parintins intensifica transporte aéreo e fluvial no Amazonas

São 156 embarcações cadastradas para o percurso apenas nas linhas interestaduais, e mais de 100 voos partindo de Manaus com destino à Ilha Tupinambarana. A Azul Airlines espera que o número supere o recorde nacional, com uma quantidade maior do que na ponte aérea Rio-São Paulo

Giovanna Marinho
30/06/2023 às 14:29.
Atualizado em 30/06/2023 às 14:29

Seja pelo céu ou pela água, a todo momento se intensifica a chegada de novos brincantes para acompanhar o Festival Folclórico em Parintins (Foto: Junio Matos/A CRÍTICA)

A festa dos bumbás Caprichoso e Garantido altera a rota aérea e hidroviária do Amazonas. São 156 embarcações cadastradas para o percurso apenas nas linhas interestaduais, e mais de 100 voos partindo de Manaus com destino à Ilha Tupinambarana. A Azul Airlines espera que o número supere o recorde nacional, com uma quantidade maior do que na ponte aérea Rio-São Paulo.

O festival folclórico de Parintins ocorre nos dias 30 de junho, 1° e 2 de julho, mas a preparação começa muito antes. A Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados e Contratados do Estado do Amazonas (Arsepam), por exemplo, desde maio intensificou as ações voltadas para a demanda do município, tendo em vista que o barco ainda é o meio de transporte mais utilizado por quem visita a Ilha da Magia. O trajeto pode durar até 22 horas, ao custo de R$ 120, o mais barato nos barcos de linha, e 12 horas nas lanchas rápidas, saindo em torno de R$ 500 o trecho.

O diretor-presidente da Arsepam, João Rufino Júnior, estima que cerca de 70 mil pessoas devem transitar de barco em direção a Parintins. Para se ter uma noção, de janeiro a maio, 12,6 mil pessoas viajaram nesse percurso. Até sexta-feira (23), eram 156 embarcações cadastradas para realizar a rota apenas entre os municípios do Amazonas. Até o fim desta semana, segundo ele, a estimativa é de 180 embarcações com passe para atender os que visitam a festa. O número pode ser muito maior se considerarmos os outros estados.

Movimentação intensa no Porto de Parintins

Fiscalização

"Sabemos que há reclamações, denúncias de práticas abusivas, de preços que aumentam muito, e não apenas a Arsepam está atenta à evolução de preços. Estamos trabalhando em Manaus com o reforço das operações de fiscalização que foram autorizadas pela capitania", reforçou João Rufino.

Desde o ano passado, a fiscalização de embarcações tem recebido mais atenção. De acordo com o diretor-presidente da Arsepam, para operar no transporte fluvial em direção a Parintins nessa época do ano, é necessário um passe específico da Marinha. Ao longo do percurso, de Manaus a Parintins, por exemplo, existem três pontos de fiscalização: no Encontro das Águas, em Itacoatiara e em Parintins. A operação é necessária para evitar o transporte irregular de passageiros.

"Se não tiver o passe, a embarcação vai parar no meio do caminho. As embarcações retornam porque não tinham passe, ou porque tinham alguma irregularidade, como excesso de bagagem, bagagem mal acomodada, má acomodação dos passageiros. As embarcações que não estiverem cumprindo essas normas e que não tiverem as normas da navegação segura, mas que não tenham passe mesmo que regularizado, não vão seguir para Parintins. Podem atender outras regiões, mas não Parintins", declarou João Rufino.

Transporte aéreo

(Foto: Junio Matos/A CRÍTICA)

Mesmo que o barco ainda seja o preferido de quem chega à Ilha dos Bumbás, o trajeto aéreo de 1 hora tem conquistado mais adeptos, principalmente com as promoções de passagens. Um mês antes da festa, era possível comprar um trecho de ida por menos de R$ 300. Segundo a Vinci Airport, administração do Aeroporto de Manaus, de 28 de junho a 04 de julho, a Azul Linhas Aéreas terá 54 voos com destino a Parintins; a Total Linhas Aéreas terá 24; e a Map Linhas Aéreas terá 28.

Por conta do festival, desde o último dia 20 de junho, o aeroporto passou a contar com uma programação especial para quem visitar a capital, entrando no clima do "dois pra lá, dois pra cá". Em parceria com a Amazonastur, está em andamento a exposição "Embarque na Magia de Parintins", com peças exclusivas de itens das apresentações dos bois, na área de desembarque do aeroporto. No saguão de embarque, sala de embarque e terminal de cargas, há espaços instagramáveis; intervenções artísticas com figuras típicas do folclore amazônico; plataforma 360 e totem fotográfico, entre outras atrações, a programação será realizada até o dia 03 de julho.

“Sabemos do impacto positivo que o Festival de Parintins traz para a cultura e economia do estado e o quanto mobiliza as pessoas em torno da paixão pelos bumbás. A Vinci Airports tem muito respeito e admiração pela cultura local e se orgulha de estar contribuindo com a mobilidade positiva neste momento tão importante para a região”, disse a diretora-presidente da Concessionária dos Aeroportos da Amazônia, Karen Strougo.

O aeroporto do município também é bastante requisitado. Segundo a Azul Linhas Aéreas, movimentação deve 'destronar' a ponta aérea Rio/São Paulo como a mais movimentada

A Arserpam possui uma ouvidoria 24 horas para atender passageiros que enfrentaram problemas nas embarcações e desejam formalizar denúncias: (92) 98408-1799. As embarcações que operam em Parintins durante o Festival Folclórico não podem realizar escalas em outros municípios e devem obedecer a uma série de regras de segurança.

Aumento de preço

O aumento do preço das passagens das lanchas dividiu os passageiros que têm optado por ir para Parintins voando. A situação é exposta pela vendedora de passagens, Franciane da Silva. Ela conta que ainda há muitas vagas nas viagens de ida nos "a jatos", mas na volta, as vagas foram totalmente vendidas há um mês.

Segundo a vendedora, isso pode ser reflexo de promoções feitas pelas empresas de transporte aéreo nos voos de ida para Parintins, onde um trecho poderia ser adquirido por um valor muito inferior. Como o valor dos voos não compensou na volta, onde pode superar os R$ 3 mil, os turistas vão voltar para casa de lancha.

"A volta, a gente já pesquisou, é mais caro voltar de avião. De lancha, a volta custa de R$ 500 a R$ 600. Para pagar de R$ 1 mil a R$ 3 mil de avião. Mas na ida tinha avião de R$ 300. Na volta, as nossas lanchas já lotaram desde o mês passado para voltar", disse.

Uma das razões para a redução dos preços das passagens aéreas foi o investimento das companhias após acertos com o governo do Estado. A Azul Linhas Aéreas, por exemplo, aumentou a frequência de voos entre Manaus e Parintins entre 7 de junho e 5 de julho.

São 74 voos no período, entre operações comerciais e fretamentos, com aeronaves que comportam de 70 a 118 passageiros. No dia 2 de julho, a rota Manaus-Parintins terá mais voos do que a ponte aérea Rio-São Paulo, entre Congonhas e Santos Dumont, a mais movimentada do país e da companhia. No ano passado, no mesmo período, foram realizados 63 voos, 15% a menos do que neste ano.

"É uma rota muito procurada neste período por conta da festa folclórica, que é conhecida internacionalmente. A nossa malha tem uma capilaridade muito grande e sempre estamos atentos a esses acréscimos de demanda, por isso nos antecipamos para oferecer mais assentos e voos, garantindo mais conforto e conectividade aos nossos clientes. Nos últimos anos, a procura pelo Amazonas como destino turístico vem crescendo, e a Azul segue acompanhando esse aumento, atuando em 14 cidades, promovendo o turismo e o desenvolvimento sustentável do Estado", disse o gerente geral de Malha e Planejamento Estratégico da Azul, Vitor Silva.

Rota alterada

Para atender à demanda de passageiros rumo a Parintins, diversos barcos mudam a rota habitual. Um deles é o Ingrid Beatriz, que ao longo do ano opera na região do Médio Amazonas, mas no último fim de semana de junho tem uma missão especial: levar os membros da Batucada e os sócios do Movimento Amigos do Garantido (MAG).

A viagem é feita sob contrato, outros tripulantes são chamados para navegar pelo Rio Amazonas. No dia em que a reportagem esteve na Balsa Amarela, Centro de Manaus, a tripulação adequava um ferry boat para atender o Município de Codajás, enquanto o Ingrid Beatriz fica à disposição do festival.

"O Baixo Amazonas é um pouco mais complicado para a navegação. A gente se prepara antes com a tripulação que conheça a rota. A fiscalização de todos os anos é uma só. Faz a vistoria na capitania dos portos. Vê o que está faltando nas embarcações. Bota as exigências e regulariza. Tendo a nota dez, já tem o passe para ir para o boi. Contrato com o MAG e a nossa lotação não chega a todos", explicou Enoque Martins.

O presidente da Associação das Agências de Transporte Aquaviário do Amazonas (Ageptram), Altair Ribeiro, contou ao A CRÍTICA que a procura deve aumentar conforme a proximidade do dia da apresentação dos bumbás. Do ano passado para este, segundo ele, não houve reajuste de preços das passagens de barcos de linha. O aumento foi na passagem de lancha, que subiu até R$ 100. Devido às exigências dos órgãos fiscalizadores, alguns barcos deixaram de operar na rota.

"Tem mais ou menos seis a sete barcos que foram no ano passado e este ano não vão para Parintins. Como todos os anos tem as vistorias e todo ano colocam mais dificuldades e itens exigidos, têm muitos que não estão querendo fazer um investimento muito alto para uma só viagem, mas isso é bom porque fica para a segurança do passageiro", declarou o presidente.

Vendedor de passagens de barco em uma agência de viagens no Centro de Manaus, Augusto Macaria, conta que o movimento tem aumentado nos últimos dias. Somente na banca dele, são vendidas passagens para 14 embarcações e outras dezenas de lanchas. Nos próximos dias, ele espera encerrar a cota de passagens.

"Estamos controlando a venda. Os donos dos barcos entraram em contato conosco informando a quantidade de barcos disponíveis e nós passamos a vender essa quantidade. Atendemos mais pessoas presencialmente, elas querem ver o barco, ver o que estão comprando para não serem enganadas. O mais pedido são os barcos que têm atração ao vivo, já querem sair daqui para a festa", afirmou.

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