Defesa alega vazamento de informações sigilosas e questiona perícia no sistema do Hospital Santa Júlia, além de proteger médicos da UTI
(Foto: Reprodução)
“Ele está sendo desleal, está mentindo!”. A declaração de Sérgio Figueiredo, advogado da médica Juliana Brasil, foi dada com exclusividade para A CRÍTICA nesta quarta-feira (24), um dia depois da defesa pedir o afastamento do delegado Marcelo Martins do comando das investigações da morte de Benício Xavier por vazamento de informações sigilosas.
Figueiredo disse que Martins faltou com a lealdade ao rito processual por disseminar detalhes que estão sob segredo de justiça; além de “falsear a verdade” ao expor informações que, segundo o advogado, não fazem parte do inquérito. Ele destacou que o vídeo apresentando pela médica não foi adulterado, mas que a perícia no sistema do Hospital Santa Júlia cometeu um equívoco. Neste material, Juliana afirma que o programa de prescrição mudou a aplicação da adrenalina para intravenosa.
“Por que a perícia não foi no sentido de demonstrar que houve uma adulteração dentro dos códigos do sistema? O hospital já tinha realizado a alteração no sistema. Tanto prova que nós conseguimos um vídeo de um outro hospital que utiliza o mesmo sistema; quando você clica em inalação automaticamente ele muda”, destacou.
Sérgio Figueiredo afirma que as informações sobre a investigação foram divulgadas de forma parcial, isto é, com detalhes omitidos para sustentar o que ele chama de “linha narrativa do delegado”. Segundo este posicionamento, a imprensa só teve acesso a áudios e mensagens de texto que forçam o julgamento de culpa sobre a médica Juliana Brasil.
O advogado questiona a falta de divulgação do prontuário do hospital onde, de acordo com ele, há todo o registro que mostra a decisão “arbitrária” da enfermeira Raiza Bentes em administrar a adrenalina de forma intravenosa mesmo com a orientação de outras profissionais sobre a conduta por meios respiratórios em Benício Xavier.
Outro ponto sustentado é de que a criança teve uma parada cardiorespiratória já na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), onde Juliana não tinha autonomia, e depois de ter sido alimentada; fator que resultou, para o advogado, em uma broncoaspiração, a entrada de alimento nas vias respiratórias.
“Por que o delegado quer proteger os médicos da UTI, do hospital? Isso prejudica toda a sociedade, até mesmo a família do Benício. Quando você falta com a lealdade, você coloca em risco a lisura da investigação”, definiu.
Por enquanto o pedido da defesa não teve resposta da Justiça. Figueiredo afirmou que o próximo passo é ter acesso aos dados em completo do celular da médica Juliana Brasil para que as informações possam ser apresentadas em totalidade dentro da investigação. Uma perícia particular será feita pelos advogados.
“A criança falece 14 horas depois e a responsabilidade é da Juliana que já tinha a estabilizado na emergência? Essa responsabilidade está dentro da UTI”, finalizou.