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Aliados de Bolsonaro criticam prisão domiciliar e atacam Moraes

Na CMM e na ALE, bolsonaristas saíram em defesa do ex-presidente; outros parlamentares não alinhados pregaram ‘paz’ e pediram fim do processo

Lucas dos Santos
05/08/2025 às 13:50.
Atualizado em 05/08/2025 às 13:51

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Nas sessões da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) e na Câmara Municipal de Manaus (CMM) desta terça-feira (5), aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se manifestaram contra a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que determinou a prisão domiciliar do político após o descumprimento de medidas restritivas.

Na ALE, o deputado estadual Delegado Péricles (PL) afirmou chamou as decisões de Moraes de “abusos” e afirmou que ele é “usado pela esquerda para perseguir quem se opõe ao governo esquerdista”, em referência à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Ele ontem decretou a prisão do presidente Bolsonaro, algo sem justificativa, sequer com fundamentos. Vejam bem, qual foi a alegação para a prisão domiciliar? Porque o filho dele, um terceiro, usou as redes sociais para mostrar que o presidente Bolsonaro estava acompanhando as manifestações, que o ministro chama de coação à Justiça”, disse.

Péricles defendeu as manifestações ocorridas no último domingo em várias cidades do Brasil a favor de Jair Bolsonaro, afirmando que estavam presentes famílias e que não houve nenhuma confusão registrada.

“Já passou de todos os limites. Foi uma resposta que a população deu no domingo indo às ruas, mostrando a sua insatisfação. E ontem, para dobrar a aposta, o ministro decretou a prisão do presidente Bolsonaro. E ainda: na sua justificativa, há um tom de ameaça”, criticou.

Na mesma sessão, parlamentares não abertamente alinhados ao bolsonarismo também criticaram a decisão de Alexandre de Moraes. O deputado estadual Mário César Filho (União) afirmou que o que está acontecendo em Brasília “tem que ter um freio, não pode mais acontecer” e que os atos do STF estão repercutindo internacionalmente, em especial nos Estados Unidos, o qual o deputado alega ser “a maior democracia do planeta Terra”.

“Infelizmente parece que não existe Justiça hoje, o que existe é Alexandre de Moraes. Parece que não existe mais Ministério Público, Congresso Nacional, o que existe é Alexandre de Moraes. Isso tem que ter um freio para que a paz seja selada no nosso povo, para que não exista mais essa divisão que só está fazendo mal”, disse.

Em aparte, o deputado Wilker Barreto (Mobiliza) concordou com Péricles e Mário César Filho. O político defendeu que Alexandre de Moraes se declare suspeito dos processos envolvendo Jair Bolsonaro, afirmando que ele “não poderia estar julgando essa matéria”.

“Deveria ter que se pedir a sua suspeição e deixar que outro ministro pudesse avançar. Da forma que está, realmente parece um atropelo àquilo que é mais fundamental ao cidadão, que é a liberdade de expressão”, afirmou.

Em Manaus

Na CMM, o primeiro a sair em defesa de Bolsonaro foi o vereador Raiff Matos (PL). O parlamentar afirmou que a prisão domiciliar do ex-presidente “ultrapassa os limites da legalidade” e chamou o fato de “perseguição política” contra o antigo mandatário.

“Estamos vendo um homem ser punido não por crimes, mas por representar valores que incomodam: Deus, pátria, família e liberdade. Nós que acreditamos na Constituição, nos princípios da democracia, não podemos nos calar diante desse tipo de arbitrariedade”, disse, lendo seu discurso na tribuna.

O político ainda leu dois versículos bíblicos direcionados a Alexandre de Moraes: Romanos 1:18, que diz: “portanto a ira de Deus é revelada dos Céus contra toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça”; e Provérbios 22:8: “quem semeia a injustiça colhe a maldade, o castigo da sua arrogância será complemento”.

Em aparte, o vereador Roberto Sabino (Republicanos), que já atribuiu doenças mentais a ações de demônios, classificou o discurso de Raiff Matos de corajoso, afirmou que a liberdade de expressão está ameaçada e que o Brasil vive em “uma situação difícil”.

“Só vai preso, só vai pegando tornozeleira quem é do outro lado, quem se chama de bolsonarista. O lulista pode fazer tudo, está liberado. Eu fico observando com muita cautela, até porque se falar muito pode ser preso. A gente tem que ter esse cuidado, senão daqui a pouco a Federal chega e faz uma ‘vasculhação’ aqui”, disse

.

Na sequência, o vereador Coronel Rosses (PL) chamou a esquerda de “sórdida” pela prisão do ex-presidente, embora o ministro Alexandre de Moraes não se declare um indivíduo de esquerda.

“É muito estranho alguém que não roubou, não teve nenhum escândalo de Mensalão no seu governo, Petrolão, apartamento do amigo, não foi envolvido no tráfico de drogas, assassinato, nada, e ainda assim resolveram prendê-lo porque ele saiu na rede social do filho”, afirmou.

Rosses também cobrou os senadores para que colocassem um freio na ação do STF e disse que “estamos em uma guerra”. O Senado é a única casa que pode abrir processos de impeachment contra ministros da Corte Suprema, necessitando de 54 votos para que um magistrado seja retirado do cargo.

Favoráveis

Nas redes sociais, parlamentares e políticos da esquerda comemoraram a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. O vereador Zé Ricardo (PT) escreveu que ela se complementa à tornezeleira eletrônica a qual o ex-presidente já estava utilizando e chamou o caso de ironia do destino.

“Bolsonaro passou a pandemia desafiando a lei, dizendo que era contra o ‘fique em casa’. Hoje, ironia do destino: foi obrigado a ficar em casa, sem celular, sem visita, sem rede social. Virou prisioneiro do próprio negacionismo”, disse.

Apesar de não ter se manifestado textualmente, o ex-deputado Marcelo Ramos (PT) republicou postagens da vereadora Cida Pedrosa (PCdoB), de Recife, que lembra o voto de Bolsonaro pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT) em que homenageou Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador da ditadura militar. Na sequência, é mostrada o Plantão da Globo noticiando a prisão do ex-presidente.

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