Audiência na Câmara Municipal de Manaus levou diretor e gerente para explicar blecautes ocorridos nos últimos meses
Gerente de operações da Amazonas Energia, Raimundo Júnior, durante audiência pública na Câmara Municipal de Manaus
O gerente de operações da Amazonas Energia, Raimundo Júnior, afirmou durante audiência pública na Câmara Municipal de Manaus (CMM) que a distribuidora não foi a culpada pelos blecautes ocorridos entre e março e abril na cidade de Manaus e nas cidades do entorno. Segundo ele, todas as ocorrências que provocaram os apagões aconteceram em áreas de responsabilidade do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), não da concessionária.
O representante mostrou aos vereadores um esquema mostrando como funciona a interligação atual. A partir do SIN, algumas linhas de transmissão 500 quilovots (kV) prosseguem pelas subestações de Tucuruí, Xingu, Jurupari e Oriximiná dentro do território do Pará, passando para Silves e Lechuga no Amazonas. Outras linhas de 230 kV estão ligadas à subestação de Oriximiná para Juruti (PA) e Parintins (AM), e de Lechuga para os subsistemas de Manaus.
Segundo Raimundo Júnior, a concessionária só é responsável pelas linhas de 138 kV e 69 kV, que deixa os subsistemas João Paulo, Manaus, Jorge Teixeira e Mauá III para atender à população. Desde 2013, o Amazonas está conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN) por meio do Linhão de Tucuruí.
Antes, o estado era isolado e atendido somente por geradores locais, a exemplo da Estação Hidrelétrica de Balbina e usinas termelétricas espalhadas por alguns municípios. Após ampliações, o SIN passou a atender, na totalidade, as cidades de Manaus, Parintins, Silves, Iranduba, Manacapuru e Presidente Figueiredo.
O sistema Manaus conta com 30% da carga de agentes geradores locais, conhecidos como produtores independentes de energia (PIE) e 70% é fornecido pelo SIN. De acordo com a apresentação do gerente, em Eventos onde o sistema de Manaus se desconecte do SIN, não é possível manter toda a carga em operação, sendo necessário desligar parte do sistema para estabilizar as condições normais e restaurar o sistema após a reconexão do SIN.
A regra de responsabilidade se repete nos demais subsistemas localizados em Manaus. Raimundo Júnior relembrou que os apagões ocorridos em 7 de março, 27 de março e 2 de abril aconteceram pelo desligamento de linhas nas subestações fora da responsabilidade da Amazonas Energia, estando integralmente em áreas sob controle do ONS.
Parlamentares presentes, apesar das explicações do gerente de operações, questionaram Raimundo Júnior e o diretor de relações institucionais Radyr Oliveira sobre quais medidas seriam tomadas para evitar os apagões ocorridos em menos de um mês, a começar pelo presidente da sessão, vereador Eurico Tavares (PSD).
Em resposta, Radyr Oliveira explicou que o setor elétrico brasileiro é totalmente desverticalizado, com cada agente tem seu papel específico, seja geração, transmissão, distribuição e comercialização. O diretor reconheceu que a empresa dialogou pouco com o poder público e com a população para mostrar as mudanças feitas após a privatização da companhia e as responsabilidades específicas de cada um dentro do setor.