justificativas

Apagões não foram culpa da distribuidora, diz gerente da Amazonas Energia

Audiência na Câmara Municipal de Manaus levou diretor e gerente para explicar blecautes ocorridos nos últimos meses

Lucas dos Santos
26/05/2025 às 19:59.
Atualizado em 26/05/2025 às 19:59

Gerente de operações da Amazonas Energia, Raimundo Júnior, durante audiência pública na Câmara Municipal de Manaus

O gerente de operações da Amazonas Energia, Raimundo Júnior, afirmou durante audiência pública na Câmara Municipal de Manaus (CMM) que a distribuidora não foi a culpada pelos blecautes ocorridos entre e março e abril na cidade de Manaus e nas cidades do entorno. Segundo ele, todas as ocorrências que provocaram os apagões aconteceram em áreas de responsabilidade do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), não da concessionária.

O representante mostrou aos vereadores um esquema mostrando como funciona a interligação atual. A partir do SIN, algumas linhas de transmissão 500 quilovots (kV) prosseguem pelas subestações de Tucuruí, Xingu, Jurupari e Oriximiná dentro do território do Pará, passando para Silves e Lechuga no Amazonas. Outras linhas de 230 kV estão ligadas à subestação de Oriximiná para Juruti (PA) e Parintins (AM), e de Lechuga para os subsistemas de Manaus.

“Qualquer evento que ocorra nessa parte é de responsabilidade, o seu processo de recomposição, do Operador Nacional do Sistema. A gente da concessionária de distribuição não tem autonomia e nem autoridade elétrica para atuar nesse sentido”, disse.

Segundo Raimundo Júnior, a concessionária só é responsável pelas linhas de 138 kV e 69 kV, que deixa os subsistemas João Paulo, Manaus, Jorge Teixeira e Mauá III para atender à população. Desde 2013, o Amazonas está conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN) por meio do Linhão de Tucuruí. 

Antes, o estado era isolado e atendido somente por geradores locais, a exemplo da Estação Hidrelétrica de Balbina e usinas termelétricas espalhadas por alguns municípios. Após ampliações, o SIN passou a atender, na totalidade, as cidades de Manaus, Parintins, Silves, Iranduba, Manacapuru e Presidente Figueiredo.

O sistema Manaus conta com 30% da carga de agentes geradores locais, conhecidos como produtores independentes de energia (PIE) e 70% é fornecido pelo SIN. De acordo com a apresentação do gerente, em Eventos onde o sistema de Manaus se desconecte do SIN, não é possível manter toda a carga em operação, sendo necessário desligar parte do sistema para estabilizar as condições normais e restaurar o sistema após a reconexão do SIN.

“Chega o 500 kV na subestação e temos o circuito duplo que liga Lechuga até a subestação Manaus, então temos os agentes transmissores que são responsáveis por essas instalações. Chega até a subestação que fica na Avenida das Torres, também de responsabilidade do agente transmissor. A partir dali, 14 subestações são conectadas nesse subsistema com 28 linhas de distribuição de 69 kV e centenas de equipamentos que são responsáveis em levar energia para a cidade de Manaus. Toda essa parte [depois do subsistema] é a malha de 69 kV de responsabilidade da Amazonas Energia”, mostrou.

A regra de responsabilidade se repete nos demais subsistemas localizados em Manaus. Raimundo Júnior relembrou que os apagões ocorridos em 7 de março, 27 de março e 2 de abril aconteceram pelo desligamento de linhas nas subestações fora da responsabilidade da Amazonas Energia, estando integralmente em áreas sob controle do ONS.

Questionamento

Parlamentares presentes, apesar das explicações do gerente de operações, questionaram Raimundo Júnior e o diretor de relações institucionais Radyr Oliveira sobre quais medidas seriam tomadas para evitar os apagões ocorridos em menos de um mês, a começar pelo presidente da sessão, vereador Eurico Tavares (PSD).

Em resposta, Radyr Oliveira explicou que o setor elétrico brasileiro é totalmente desverticalizado, com cada agente tem seu papel específico, seja geração, transmissão, distribuição e comercialização. O diretor reconheceu que a empresa dialogou pouco com o poder público e com a população para mostrar as mudanças feitas após a privatização da companhia e as responsabilidades específicas de cada um dentro do setor.

“O seu questionamento é bem propício. A gente viu na apresentação do Raimundo qual foi a causa do dia 7 de abril. Um raio numa cadeia de isolador entre Jurupari e Oriximiná que tirou a linha de 500 kV. Ela desligou e desligou a cidade de Manaus. Quem dá esse diagnóstico para a gente? O Operador Nacional do Sistema, que cuida desse processo. Nós somos comandados pelo ONS de Brasília e precisamos ter o comando desse centro de operações para iniciar o processo de reestabelecimento de energia”, disse.
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