Operadores se preparam para o período de estiagem que se inicia em meados de julho e continua até o mês de novembro
(Foto: Daniel Brandão)
Os donos dos portos privados Chibatão e SuperTerminais e representantes de agências do governo federal afirmaram que já estão se antecipando para o período de estiagem que se avizinha neste semestre. Com o fim da cheia nas primeiras semanas de julho, as lideranças se reuniram na 12ª Reunião da Comissão de Logística do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam) nessa terça-feira (1º) para manter os associados informados.
O diretor-executivo do Grupo Chibatão, que opera um dos principais terminais portuários do estado, afirmou que mesmo sem saber qual será a potência da estiagem em 2025, a empresa já se antecipou e manteve apostos as estruturas do porto provisório instalado em Itacoatiara no ano passado, ano da seca mais severa da história do Amazonas, relembrando a operação em 2024.
Com a operação sendo eficiente e cumprindo os objetivos principais – como evitar a paralisação das fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM) – Jhony Fidelis anunciou que o módulo que funcionou em Itacoatiara está pronto e preparado para navegar caso seja necessário. Apesar do elevado nível do rio Negro e do rio Solimões, que já estão unificados como rio Amazonas no município, o Grupo Chibatão trabalha com o pior dos cenários para se precaver. Nesse pior cenário, as áreas da Enseada do Madeira e Costa do Tabocal ficariam com apenas 8,5 a 9 metros de profundidade.
O processo para o funcionamento do porto provisório no município já está feito junto à Marinha do Brasil e a Receita Federal, restando apenas a autorização do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), a qual deverá sair nas próximas semanas.
O diretor-geral da SuperTerminais, Marcelo di Gregorio, também destacou a operação da empresa durante a seca de 2024. O operador privado também instalou um píer provisório em Itacoatiara que foi visitado por A CRÍTICA. Em menos de um mês, a unidade já havia movimentado 4,1 mil contêineres contendo 80 mil toneladas de produtos.
Di Gregorio destacou que, ao final da operação do píer, mais de 27 operações de navio haviam sido realizadas, com a movimentação total de aproximadamente 33 mil contêineres e 840 mil toneladas de carga. Tal qual o Grupo Chibatão, a SuperTerminais também se antecipa para a estiagem. Uma das medidas inclui a ampliação do terminal de cargas localizado em Manaus, saindo de uma capacidade de 18 mil para 30 mil TEUs até o fim de 2026.
O diretor de infraestrutura aquaviária substituto Edme Tavares, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), abriu a fala destacando a dificuldade logística e os desafios ambientais para licenciamento na região Amazônica. Ainda assim, as dragagens previstas pelo governo federal já estão contratadas.
Segundo Tavares, também há contratações nos trechos da travessia do rio Madeira, nas proximidades da rodovia Transamazônica, para um prazo de 60 meses, com investimento de R$ 9,7 milhões. No trecho entre os municípios amazonenses de Benjamin Constant e São Paulo de Olivença, está contratada a dragagem de um trajeto de 214 quilômetros a R$ 84,2 milhões.
No ano passado, a dragagem do trecho Manaus-Itacoatiara começou em outubro, três meses depois do prazo estipulado pelo governo federal. Na época, os responsáveis pelos portos avaliaram que ela não surtiria os efeitos positivos ainda em 2024 devido ao atraso.
Nesta quarta-feira (2), o rio Negro estacionou nos 29,02 metros pelo segundo dia seguido. De acordo com o boletim divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) na terça, a tendência é manter a estabilidade. No rio Solimões, que influencia a altura do rio Negro em Manaus, já há descidas diárias de 4 centímetros em Tabatinga e de 1,5 centímetros em Fonte Boa.
No rio Amazonas em Itacoatiara e Parintins, o SGB registrou processo de descida. Mais abaixo, nas cidades paraenses de Óbidos e Santarém, o nível entrou em estabilidade. Segundo o gráfico de tendência, o rio Negro em Manaus deverá entrar no processo de descida a partir da segunda semana de julho.