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Com fim da cheia, portos e governo já se antecipam para seca de 2025

Operadores se preparam para o período de estiagem que se inicia em meados de julho e continua até o mês de novembro

Lucas dos Santos
02/07/2025 às 16:31.
Atualizado em 02/07/2025 às 16:31

(Foto: Daniel Brandão)

Os donos dos portos privados Chibatão e SuperTerminais e representantes de agências do governo federal afirmaram que já estão se antecipando para o período de estiagem que se avizinha neste semestre. Com o fim da cheia nas primeiras semanas de julho, as lideranças se reuniram na 12ª Reunião da Comissão de Logística do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam) nessa terça-feira (1º) para manter os associados informados.

O diretor-executivo do Grupo Chibatão, que opera um dos principais terminais portuários do estado, afirmou que mesmo sem saber qual será a potência da estiagem em 2025, a empresa já se antecipou e manteve apostos as estruturas do porto provisório instalado em Itacoatiara no ano passado, ano da seca mais severa da história do Amazonas, relembrando a operação em 2024.

“Essa operação do porto Chibatão veio para trazer para Manaus e sair também com carga, com praticamente quase 99% de tudo que o polo industrial produziu. No total, a gente operou 35 navios em Itacoatiara. Foram quase 59 mil contêineres movimentados. Essa movimentação tentou garantir que não faltasse matéria-prima para a indústria e para o comércio”, disse.

Com a operação sendo eficiente e cumprindo os objetivos principais – como evitar a paralisação das fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM) – Jhony Fidelis anunciou que o módulo que funcionou em Itacoatiara está pronto e preparado para navegar caso seja necessário. Apesar do elevado nível do rio Negro e do rio Solimões, que já estão unificados como rio Amazonas no município, o Grupo Chibatão trabalha com o pior dos cenários para se precaver. Nesse pior cenário, as áreas da Enseada do Madeira e Costa do Tabocal ficariam com apenas 8,5 a 9 metros de profundidade.

“Qual a nossa operação de alívio? Simplesmente atracar o navio em Itacoatiara, descarregar parte dos contêineres para a balsa, a balsa vir para Manaus e, posteriormente, o navio também conseguir navegar em Manaus. De forma resumida, esse é o planejamento do Porto Chibatão”, explicou.

O processo para o funcionamento do porto provisório no município já está feito junto à Marinha do Brasil e a Receita Federal, restando apenas a autorização do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), a qual deverá sair nas próximas semanas.

O diretor-geral da SuperTerminais, Marcelo di Gregorio, também destacou a operação da empresa durante a seca de 2024. O operador privado também instalou um píer provisório em Itacoatiara que foi visitado por A CRÍTICA. Em menos de um mês, a unidade já havia movimentado 4,1 mil contêineres contendo 80 mil toneladas de produtos.

Di Gregorio destacou que, ao final da operação do píer, mais de 27 operações de navio haviam sido realizadas, com a movimentação total de aproximadamente 33 mil contêineres e 840 mil toneladas de carga. Tal qual o Grupo Chibatão, a SuperTerminais também se antecipa para a estiagem. Uma das medidas inclui a ampliação do terminal de cargas localizado em Manaus, saindo de uma capacidade de 18 mil para 30 mil TEUs até o fim de 2026.

“A SuperTerminais vai trabalhar num investimento de R$ 400 milhões para o próximo biênio. Nesses R$ 400 milhões, R$ 200 milhões a gente fazer a extensão do nosso píer em mais 120 metros. Até o final de 2025, teremos 100 mil metros quadrados de área retroportuária fora do terminal, e até o final de 2026 teremos mais 100 mil metros”, enumerou.

Dragagens

O diretor de infraestrutura aquaviária substituto Edme Tavares, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), abriu a fala destacando a dificuldade logística e os desafios ambientais para licenciamento na região Amazônica. Ainda assim, as dragagens previstas pelo governo federal já estão contratadas.

“Aqui eu incluí o [rio] Madeira, porque ele entra na questão de uma etapa até Manicoré e está sob gestão da nossa superintendência no Amazonas. Então você vê que são investimentos na ordem de R$ 138 milhões, foi uma contratação feita por quatro anos. A gente está na última campanha agora, fizemos um aditivo assinado há 15 dias e já está em andamento também uma nova contratação”, disse.

Segundo Tavares, também há contratações nos trechos da travessia do rio Madeira, nas proximidades da rodovia Transamazônica, para um prazo de 60 meses, com investimento de R$ 9,7 milhões. No trecho entre os municípios amazonenses de Benjamin Constant e São Paulo de Olivença, está contratada a dragagem de um trajeto de 214 quilômetros a R$ 84,2 milhões.

“A gente já está trabalhando na elaboração desses planos de dragagem que a gente tem contratado. Tanto esse trecho de Benjamin Constant a São Paulo de Olivença quanto Manaus-Itacoatiara, Coari-Codajás. Em Benjamin Constant-Tabatinga a gente está sem operar. Em julho a gente já deve emitir a ordem de serviço para que em agosto as empresas já estejam com suas dragas, principalmente ali em Manaus e Itacoatiara”, disse.

No ano passado, a dragagem do trecho Manaus-Itacoatiara começou em outubro, três meses depois do prazo estipulado pelo governo federal. Na época, os responsáveis pelos portos avaliaram que ela não surtiria os efeitos positivos ainda em 2024 devido ao atraso.

Fim da cheia

Nesta quarta-feira (2), o rio Negro estacionou nos 29,02 metros pelo segundo dia seguido. De acordo com o boletim divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) na terça, a tendência é manter a estabilidade. No rio Solimões, que influencia a altura do rio Negro em Manaus, já há descidas diárias de 4 centímetros em Tabatinga e de 1,5 centímetros em Fonte Boa.

No rio Amazonas em Itacoatiara e Parintins, o SGB registrou processo de descida. Mais abaixo, nas cidades paraenses de Óbidos e Santarém, o nível entrou em estabilidade. Segundo o gráfico de tendência, o rio Negro em Manaus deverá entrar no processo de descida a partir da segunda semana de julho.

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