Apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o pastor da Assembleia de Deus e deputado federal foi entrevistado pelo podcast da coluna Sim & Não de A Crítica
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Apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o pastor da Assembleia de Deus e deputado federal Silas Câmara (Republicanos) disse nesta quinta-feira (2) em entrevista ao podcast da coluna Sim&Não de A CRÍTICA que vai votar a favor de eventuais matérias boas apresentadas pelo governo Lula sem nenhum tipo de “preconceito” ou “peso na consciência”.
Silas Câmara afirmou que acredita no resultado das eleições de outubro do ano passado que confirmou a derrota de Bolsonaro, que é posta em cheque pelo ex-chefe do Executivo federal até hoje.
“Não sou negacionista. A eleição aconteceu e para mim ela foi honesta, limpa. Venci a eleição. Votei no Bolsonaro. Trabalhei para o Bolsonaro, acredito na proposta dele, mas perdemos a eleição. Ganhou a eleição o outro presidente que está governando o país. As instituições estão funcionando normalmente e eu como deputado federal cristão vou fazer o melhor para o povo brasileiro. Vou trabalhar com todos os ministros e vou votar todas as matérias que forem boas para o Brasil”, declarou.
Questionado se assinaria a proposta de Comissão Parlamentar de Inquérito Mista (CPMI) para apurar os ataques antidemocráticos contra as sedes dos Três Poderes, no dia 8 de janeiro, apresentada por parlamentares bolsonaristas, Silas garantiu que não vai assinar o pedido.
Para o deputado, que se coloca como independente, é temerário a instalação de uma CPMI já no começo do governo do presidente Lula (PT) para apurar assuntos que estão sendo bem tratados pelas instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF) e Ministério Público Federal (MPF).
"Não vou assinar. Sou aliado de primeira hora do presidente Bolsonaro, votei nele. Milito a bandeira que ele milita, mas minha consciência é que o Brasil precisa de uma oportunidade para respirar. Precisamos dar oportunidade para que o novo governo possa estabilizar a nação para avançarmos com emprego, renda, oportunidade de vida para que a vida das pessoas possam melhorar”, defendeu Câmara.
Sobre a demora para nomear um titular para Superintendência da Zona Franca de Manaus que segue sem um titular há quase dois meses, Silas não entendeu a demora como anormal e condicionou o atraso à transição entre governos.
“Sinceramente o tempo que está levando é compatível com as movimentações administrativas do novo governo”, minimizou o pastor lembrando que o governo fez atualização administrativa de 22 para 30 ministérios, inclusive criando o Ministério da Indústria e Comércio.
Irmão do pastor-presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas (Ieadam), Silas rebateu a crença de que o voto dos evangélicos seria de cabresto. Pelo contrário, o deputado defendeu que os evangélicos votam com consciência.
“"Há uma evolução da nossa consciência que quem apostar no domínio ou no controle do voto de qualquer pessoa do segmento evangélico vai perder porque o evangélico está votando consciente. Obviamente que existe dentro dessa consciência assim como em qualquer segmento aqueles que acreditam que devem votar pela consciência cidadã cristã naquelas pessoas que têm compromisso com as sua bandeiras”, pontuou.
Silas explicou que aceitou assinar um acordo de não persecução penal para pôr fim a um processo no Supremo que o apontava como autor de peculato para se libertar da “política baixa” e de “prejuízo pessoal".
“Não é verdade que existe uma declaração de culpa. Se ler a declaração que a PGR recebeu. Lá diz que é apenas para efeito do artigo 28 do código penal porque é de exigência desse acordo fazer suposta presunção de culpa para poder alcançar o benefício”, esclareceu.