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Deputados atacam estudo ambiental e querem apoio para elaborar ‘Carta pró BR-319’

Parlamentares da Aleam classificaram como “pseudociência” o estudo publicado pela Revista norte-americana Nature, que avaliou o surgimento de novas pandemias com a abertura da rodovia na Amazônia

Carolina Givoni
27/02/2024 às 16:43.
Atualizado em 27/02/2024 às 16:43

Estudo publicado em revista norte-americana avaliou surgimento de novas pandemias com a abertura da BR-319 (Foto: Getty Images)

Um estudo publicado na revista norte-americana Nature, que avaliou o surgimento de novas pandemias com a abertura da BR-319, foi classificado como “pseudociência”, por alguns parlamentares da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) em sessão nesta terça-feira (27). 

O assunto veio a tona com o pronunciamento do deputado João Luiz (Republicanos), que citou a iniciativa de cruzar a BR-319, anunciada por Luís Cláudio, filho do presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva. “Ele vai aos ouvidos do pai, falar a verdade e não aquilo que ele fica ouvindo dos que o rodeiam”, disse.

O deputado também afirmou que a União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale) deve ser um aliado importante na elaboração de uma “Carta pró BR-319”, que contenha apoio e assinatura de parlamentares da região norte e apoiadores do movimentos de outras regiões. 

“Só assim podemos contrapor essas narrativas, como a da Revista Nature, dizendo que o asfaltamento da 319 vai gerar outras pandemias. É um absurdo atrás do outro, eu não sei onde eles descobrem essas narrativas, eu não sei se é interesse em receber recursos internacionais, para manter essa narrativa e o norte isolado”, exprimiu.

João Luiz leu parte da publicação assinada pelos cientistas Lucas Ferrante, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), e Guilherme Becker, da Universidade Estadual da Pensilvânia (EUA), que alerta sobre o aumento do desmatamento, queimadas e o alto risco de zoonoses (doenças infecciosas transmitidas dos animais para os seres humanos). 

Rozenha (PMB) também fez duras críticas ao estudo.

“Não irei comentar essa idiotice desse pseudocientista, por que quando a gente comenta idiotices, começa a dar palco para idiotas a gente se idiotiza. É uma asneira, essa pessoa tem deficiência cognitiva, por que não é possível fazer uma afirmação dessas em uma publicação dessa pseudocientífica”, disparou.

Segundo ele, o isolamento provocado pela falta de pavimentação da BR-319 dá retorno financeiro a empresas e outros entes. “Não é interessante para um grupo de empresários que se resolva esse problema definitivamente”, finalizou. 

O estudo 

No artigo publicado na revista científica Nature, os pesquisadores observam que a área compreendida pela estrada possui um reservatório de patógenos como vírus, fungos, bactérias e príons, todos agentes infecciosos capazes de causar doenças potencialmente fatais.

“O asfaltamento aumentará tanto o desmatamento como a mobilidade humana na região. Estes fatores tendem a propiciar saltos zoonóticos que podem resultar em uma sequência de pandemias e no fortalecimento da disparidade na saúde pública”, explicou Ferrante

Becker acrescentou que o potencial de desenvolvimento agrícola na região da BR-319, assim como o desmatamento, favorece uma fração dos animais selvagens que servem como reservatórios para diversos patógenos humanos, como roedores, “ampliando assim o risco de transmissão de doenças”.

Os pesquisadores também alertam que o asfaltamento pode prejudicar as metas climáticas ao acelerar a perda da biodiversidade no bioma, o que consequentemente afetaria a riqueza de potencial farmacológico que pode contribuir para a cura de diversas enfermidades.

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