Parlamentares da Aleam classificaram como “pseudociência” o estudo publicado pela Revista norte-americana Nature, que avaliou o surgimento de novas pandemias com a abertura da rodovia na Amazônia
Estudo publicado em revista norte-americana avaliou surgimento de novas pandemias com a abertura da BR-319 (Foto: Getty Images)
Um estudo publicado na revista norte-americana Nature, que avaliou o surgimento de novas pandemias com a abertura da BR-319, foi classificado como “pseudociência”, por alguns parlamentares da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) em sessão nesta terça-feira (27).
O assunto veio a tona com o pronunciamento do deputado João Luiz (Republicanos), que citou a iniciativa de cruzar a BR-319, anunciada por Luís Cláudio, filho do presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva. “Ele vai aos ouvidos do pai, falar a verdade e não aquilo que ele fica ouvindo dos que o rodeiam”, disse.
O deputado também afirmou que a União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale) deve ser um aliado importante na elaboração de uma “Carta pró BR-319”, que contenha apoio e assinatura de parlamentares da região norte e apoiadores do movimentos de outras regiões.
João Luiz leu parte da publicação assinada pelos cientistas Lucas Ferrante, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), e Guilherme Becker, da Universidade Estadual da Pensilvânia (EUA), que alerta sobre o aumento do desmatamento, queimadas e o alto risco de zoonoses (doenças infecciosas transmitidas dos animais para os seres humanos).
Rozenha (PMB) também fez duras críticas ao estudo.
Segundo ele, o isolamento provocado pela falta de pavimentação da BR-319 dá retorno financeiro a empresas e outros entes. “Não é interessante para um grupo de empresários que se resolva esse problema definitivamente”, finalizou.
No artigo publicado na revista científica Nature, os pesquisadores observam que a área compreendida pela estrada possui um reservatório de patógenos como vírus, fungos, bactérias e príons, todos agentes infecciosos capazes de causar doenças potencialmente fatais.
Becker acrescentou que o potencial de desenvolvimento agrícola na região da BR-319, assim como o desmatamento, favorece uma fração dos animais selvagens que servem como reservatórios para diversos patógenos humanos, como roedores, “ampliando assim o risco de transmissão de doenças”.
Os pesquisadores também alertam que o asfaltamento pode prejudicar as metas climáticas ao acelerar a perda da biodiversidade no bioma, o que consequentemente afetaria a riqueza de potencial farmacológico que pode contribuir para a cura de diversas enfermidades.