Com coligações proibidas e indefinição das federações, parlamentares deixam troca de sigla para o último dia da janela partidária
Mais de 80% dos deputados devem concorrer à reeleição (Foto: Alberto Cesar Araújo / Aleam)
Pressionados pelas indefinições em âmbito nacional das federações entre partidos, a maioria dos deputados estaduais do Amazonas empurraram para o fim do prazo da janela partidária, no dia 1º de abril, as filiações nas legendas em que pretendem disputar a reeleição.
Os governistas Joana Darc (PL) e Saulo Viana (PTB) devem aguardar a orientação do governador Wilson Lima (UB) para definir para qual sigla seguirão. Saulo, que pretende concorrer ao cargo de deputado federal, admitiu que mantém conversas com União Brasil, Progressistas (PP) e Partido Liberal (PL).
“Essa questão partidária confesso que ainda não está 100% resolvida. Claro que tem um encaminhamento para seguir o governador que não necessariamente será ir para o União Brasil, até porque o govenador tem outros partidos que são da base aliada”, disse Saullo Viana.
IndependenteDo lado da oposição, o deputado Dermilson Chagas (sem partido) deve seguir em busca da reeleição de forma independente do seu aliado Wilker Barreto que na semana passada filou-se ao Cidania. Dermilson, disse que mantém conversas com 5 partidos, entre eles o MDB do senador Eduardo Braga. No entanto, o que definirá o rumo do parlamentar será a configuração dos partidos.
“A regra ficou muito desfavorável. Fazendo as contas não dá para muita chapa fazer o quociente eleitoral. Essa situação vai mudar com as federações partidárias como o PSDB e o Cidadania, assim outro partidos podem querer federar. Poucos partidos vão conseguir formar chapa, no máximo uns 13”, disse o parlamentar.
Data marcadaO deputado Delegado Péricles (União Brasil) anunciará na próxima sexta-feira a ida para uma nova sigla. Fiel seguidor do presidente Jair Bolsonaro (PL), o caminho mais óbvio é o Partido Liberal, mas ao ser questionado sobre o assunto, o parlamentar não deu certeza.
“Nada definido. Independente do partido, acompanho o presidente e defendo as suas pautas por convicção”, confirmou Péricles.
Aliada de Wilson Lima, mas atualmente filiada ao PSDB do ex-senador Arthur Neto (PSDB), que nos últimos tempos protagonizou vários ataques ao governador, a deputada Therezinha Ruiz declarou que também conversou com dirigentes do PL, PV, Republicanos, porém, por enquanto, deve permanecer no PSDB.
“De acordo com as alterações possivelmente não. PSDB também já demonstrou seguir o caminho que eu estou de acordo”, disse a parlamentar.
O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), Roberto Cidade (PV), apesar do peso da presidência estadual do partido na decisão, sonda uma nova sigla. Cidade, que se identifica com o “centrão”, não vê com bons olhos a federação com o PT, articulada nacionalmente. A decisão, no entanto ficará para última hora.
Até o dia 1º de abril, deputados estaduais, distritais e federais podem mudar de partido sem o risco de perder o mandato. É o prazo da janela partidária.
No troca-troca dos partidos pelo menos dois parlamentares já têm o rumo definido. O primeiro foi Ricardo Nicolau que no início do mês anunciou a ida para o Solidariedade, partido pelo qual foi oficializado pré-candidato ao governo.
O deputado Wilker Barreto também foi acolhido no Cidadania na última sexta-feira (19). O partido também negocia a ida do ex-governador Amazonino Mendes. De acordo com dirigentes do partido e a comunicação de Amazonino tudo ainda está em negociação. A data para anúncio do novo partido do ex-governador foi adiada duas vezes, mas segundo a assessoria dele deve ser revelada até sexta-feira.