Declaração foi dada pelo comandante do Exército Brasileiro, general Tomás Paiva, que esteve em Manaus nesta terça-feira
Comandante do Exército Brasileiro, general Tomás Paiva (Foto: Márcio Silva)
O comandante do Exército Brasileiro, general Tomás Paiva, esteve em Manaus nesta terça-feira para receber e anunciar a chegada de reforço para as fronteiras do país em Roraima em meio à disputa territorial entre Venezuela e Guiana. Na ocasião, ele afirmou que a Força estuda aumentar o efetivo do Comando Millitar da Amazônia (CMA) e do Comando Militar do Norte em 10%.
Pela manhã, uma balsa com 50 viaturas que serão levadas para o estado vizinho do Amazonas atracou em Manaus. De acordo com o Tomás Paiva, além das viaturas, será reforçada a presença militar na fronteira com a Venezuela. Inicialmente, o envio será de 160 militares, mas o quantitativo total ainda está sendo estudado.
O deslocamento do comboio está marcado para a próxima sexta-feira (2) e será integrada ao 18º Regimento de Cavalaria Mecanizado, unidade que irá substituir o 12º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado.O planejamento da transformação do esquadrão é que até 2025, passe a ter três esquadrões, com cerca de 600 militares.
Após a entrega do chamado módulo logístico fluvial, o Comandante do Exército, juntamente com o Comandante Militar da Amazônia e outras autoridades, estão com viagem marcada para Roraima, onde irão verificar as atividades relacionadas à Operação Roraima, além das ações de ajuda humanitária conduzidas pelas Forças Armadas no contexto da Operação Catrimani, na Terra Indígena Yanomami (TIY).
A disputa do território de Essequibo entre Guiana e Venezuela levou o Brasil a reforçar a segurança nas fronteiras do país, em especial na cidade de Pacaraima, há 213 km de Boa Vista, em Roraima. O motivo seria uma preocupação que tropas venezuelanas usassem a passagem pela floresta amazônica para invadir o território que é alvo de disputas.
No fim do ano passado, a Venezuela realizou consulta popular que aprovou a incorporação de Essequibo, que faz parte de quase 75% do território da Guiana. O governo venezuelano também autorizou a exploração de recursos naturais na região e nomeou um governador militar para a área. O território é disputado por um século e como esperado, recebeu a reação negativa da Guiana.
Recentemente, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, foi intermédio de um encontro entre chanceleres dos dois países no Palácio do Itamaraty, em Brasília, na tentativa de chegar a um comum acordo. Ao final, disse que tanto Venezuela, quanto Guiana “comprometeram-se, reconhecidas as diferenças de lado a lado, a seguir dialogando”.