Reforma Tributária

Silas irrita bancada após votar contra a Zona franca de Manaus

O pastor e deputado federal que preside a bancada evangélica, disse sim ao texto que isenta igrejas de impostos, mas prejudica a Zona Franca de Manaus

Waldick Junior
11/07/2024 às 16:07.
Atualizado em 11/07/2024 às 16:07

Deputado Federal Silas Câmara (Foto: Elaine Menke / Câmara dos Deputados)

O voto favorável do deputado federal Silas Câmara (Republicanos) ao texto de regulamentação da reforma tributária que prejudica a Zona Franca de Manaus irritou os outros membros da bancada do Amazonas. Nesta quinta-feira (11), após a repercussão, o deputado publicou um vídeo para tentar amenizar as críticas e disse que tudo será resolvido no Senado.

No início da noite desta quarta-feira (10), pouco antes do início da votação do PLP 68/2024, os deputados do Amazonas se reuniram para fechar voto contrário ao texto após a maior parte das sugestões pró-ZFM não terem sido acatadas. O único deputado ausente da reunião foi Silas Câmara, conforme relatos de outros colegas para A CRÍTICA.

Assim, sete dos oito deputados federais do Amazonas votaram ‘não’ ao texto, com exceção de Silas Câmara. O descontentamento foi imediato entre os parlamentares, que esperavam mostrar uma “posição firme” do estado contra uma proposta que enfraquece a competitividade da Zona Franca.

Pouco após a votação, o senador Omar Aziz (PSD), que lidera a bancada, chegou a perguntar aos deputados, via WhatsApp, se todos haviam votado ‘não’ à regulamentação. Ao ser informado por um dos parlamentares que Silas havia votado a favor, Aziz respondeu com um xingamento. 

Acordos

Na visão de deputados do Amazonas ouvidos pela reportagem, o voto de Silas Câmara, que é pastor e presidente da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso, foi em razão da isenção tributária que o texto dá aos templos religiosos.

“O que sabemos é que houve um acordo com o partido dele, o Republicanos, para votar a favor. Além disso, também por conta da bancada evangélica”, disse um deputado federal.

Segundo levantamento de A CRÍTICA, a maioria (32) dos deputados do Republicanos, partido de Silas Câmara, votou a favor da regulamentação da reforma. Apenas sete parlamentares disseram não, incluindo Adail Filho, que é do Amazonas, mas se posicionou contrário à proposta.

Já a bancada evangélica ficou dividida. Foram 91 votos contrários ao texto de regulamentação da reforma, contra 90 favoráveis - incluindo Silas Câmara. Houve 18 ausências e uma abstenção. Mais uma vez, Silas ficou isolado, já que os deputados do Amazonas Átila Lins, Capitão Alberto Neto e Sidney Leite integram a bancada, mas votaram ‘não’ ao PLP 68/2024.

“Estão todos constrangidos e irritados com o Silas. A gente precisava votar em unidade para mostrar força. Ele enfraqueceu a bancada do Amazonas”, comentou outro deputado do estado.

Silas já havia criado um mal-estar com os colegas após votar, na terça-feira (9), favorável à urgência da regulamentação da reforma tributária, o que reduziu a capacidade do Amazonas de negociar ajustes ao texto. “Ele agiu contra desde o início”, afirmou um parlamentar do estado.

Justificativa

Nesta quinta-feira (11), em vídeo publicado nas redes sociais, Silas Câmara afirmou que sempre defendeu a Zona Franca de Manaus em todos os seus mandatos. “Estou aqui há 28 anos, sempre em defesa da Zona Franca, da nossa economia, do nosso povo e por justiça social e geração de emprego e renda”.

O parlamentar argumentou que não votou contra a Zona Franca de Manaus, embora tenha dito ‘sim’ ao PLP que prejudica o modelo econômico do Amazonas. Ele atribuiu as críticas ao que chamou de “aproveitadores da política”.

“Apenas começou o processo legislativo para aprovação desta lei complementar. Foi votado na Câmara e será votado no Senado, onde, inclusive, o relator é o senador Eduardo Braga, do Amazonas, que já foi relator da PEC. O que quer dizer que o processo legislativo começou na Câmara Federal, vai ser aperfeiçoado no Senado e será votado de novo na Câmara. Posso garantir a vocês, que sem nenhum prejuízo à Zona Franca de Manaus”, afirmou.

Questionado por A CRÍTICA se o voto favorável ao PLP 68/2024 foi em razão da isenção tributária a templos religiosos, prevista no texto, o deputado negou. “Só fala isso quem é mal caráter ou desconhece o processo legislativo”.

Histórico

Não é a primeira vez que um deputado do Amazonas se coloca contra a Zona Franca. Na votação da reforma tributária, no ano passado, o Capitão Alberto Neto (PL) seguiu a orientação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e disse ‘não’ ao texto que não só garantia a ZFM no novo sistema tributário, mas aperfeiçoava sua segurança jurídica.

À época, ele foi chamado de “traidor” pelo seu então colega de partido Coronel Menezes, outro bolsonarista. Alberto Neto justificou que o texto não estava maduro para ser votado e que, apesar de proteger a Zona Franca, prejudicava o país em outros pontos.

Assuntos
Compartilhar
Sobre o Portal A Crítica
No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.
Portal A Crítica - Empresa de Jornais Calderaro LTDA.© Copyright 2026Todos direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por