As propagandas de governador, senador e deputado federal serão veiculadas nas segundas, quartas e sextas e de deputado estadual nas terças, quintas e sábados
(Foto: Reprodução)
Com as costuras partidárias definidas, dois candidatos ao governo devem ter, somados, cerca de 75% do tempo de propaganda na rádio e televisão. Com base na portaria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que estabeleceu a representação de cada partido no horário eleitoral gratuito, o A CRÍTICA contabilizou que Wilson Lima (UB) e Eduardo Braga (MDB) terão 15 minutos para apresentar suas propostas ao longo do dia de um total de 20 minutos.
Na próxima quinta-feira, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) se reunirá com partidos, federações e coligações e emissoras de radiodifusão para elaboração do Plano de Mídia – Eleições Gerais de 2022. É nesse dia que será divulgada oficialmente a parcela do horário de cada candidato.
O cientista político Gilson Gil diz que, embora possa parecer uma divisão injusta aos olhos dos eleitores, o tempo de propaganda é definido em lei desde os anos 90 e não há mobilizações partidárias para que haja mudança nesses critérios. Os horários são divididos da seguinte maneira: 90% do tempo é separado proporcionalmente levando-se em conta a representação no Congresso e 10% é dividido entre todos os candidatos.
Ou seja, quanto mais aliados com mandatos federais, mais tempo o político terá para se comunicar com o público por estes meios.
As propagandas de governador, senador e deputado federal serão veiculadas nas segundas, quartas e sextas e de deputado estadual nas terças, quintas e sábados.
Formato
O horário eleitoral é divido em dois formatos: um com de cerca de 20 minutos dividos em dois blocos: manhã e início da tarde na rádio e início tarde e a noite na televisão; e outro por meio de inserções com cerca de 70 minutos diários.
“Os partidos costumam enfocar mais os comerciais, as inserções. Nós teremos em média umas vinte e oito inserções de trinta segundos diários, por exemplo, para o cargo de governador. Então, é certo que os partidos vão aproveitar, vão investir muito nesse tipo de propaganda, seja na propaganda eleitoral, aquela da hora do almoço do jantar quanto nos comerciais que são distribuídos ao longo do dia”, explicou Gilson Gil.
Mesmo com muito tempo para se apresentar ao eleitor, Gilson diz que é difícil reverter um resultado de eleições, mas as inserções e o horário eleitoral gratuito, segundo ele, são instrumentos para os partidos e os candidatos firmarem uma posição junto ao eleitorado.
“A diversidade dos horários, alguns terão mais tempos, outros terão menos tempo e isso pode gerar alguns tipos de influência. Alguns candidatos que todos os dias terão uma inserção, até chegar o dia possam ter duas inserções. No entanto outros candidatos terão oito ou nove inserções e nós sabemos o peso que a propaganda pode ter”, completou.
Distribuição
De acordo com a estimativa elaborada por A CRÍTICA, com base nas alianças já consolidadas e considerando os 10 minutos distribuidos em cada horário de TV, por exemplo, na hora do almoço, o maior tempo de televisão ficará com Wilson Lima que conseguiu formar o maior bloco de partidos em torno de sua campanha. Ao todo, o atual governador possui 10 siglas na coligação “Aqui é Trabalho” que somam 207 cadeiras no Congresso Nacional e lhes dão direito a 3 minutos e 40 segundos.
Em seguida vem Eduardo Braga que apesar de iniciar as prévias isolado, conseguiu ao longo do caminho consolidar a união com a “Federação Brasil da Esperança”, ganhando três partidos: PCdoB, PV e o PT – o segundo maior bloco em número de representantes em Brasília – e do PSD. Dessa forma, aliado aos números do MDB, Braga deve ter 2 minutos e 54 segundos de propaganda gratuita.
Com quase o mesmo tempo para apresentar suas propostas, Amazonino Mendes e Ricardo Nicolau devem ter pouco mais de 55 segundos. O problema para o ex-governador é que junto a Justiça Eleitoral ele cita o Pros como sendo da sua coligação. Porém, Henrique Oliveira também requer a sigla. Se perder a sigla, Amazonino fica com 47 segundos de propaganda e Henrique ficaria com 33 segundos, o mesmo tempo de Carol Braz.
Logo atrás, está Israel Tuyuka que representa a Federação Psol-Rede que lhe dá o direito a 31 segundos de TV e rádio. Por fim, Nair Blair, cujo partido não tem representação na Câmara dos Deputados, terá pouco mais de 7 segundos para se apresentar ao eleitor amazonense.
Confusão no Pros
A confusão do Pros pode mudar as configurações do tempo e propaganda de Amazonino e Henrique Oliveira. Isso porque os dois candidatos comunicaram à Justiça Eleitoral que a sigla compõe as duas coligações. Mas o partido é alvo de uma briga judicial que tem como pano de fundo uma disputa no diretório nacional.
O ex-presidente do partido no Amazonas Osvaldo Cardoso Neto, que ficou no cargo até o dia 18 de julho, alega que houve fraude e falsidade ideológica na ata assinada pelo atual presidente, Edward Malta, no dia 4 de agosto.
Osvaldo assumiu o partido a mando do ex-presidente nacional do Pros, Marcus Holanda. Edward, tomou o posto no dia 1º de agosto, após uma decisão do STJ devolver o partido para Eurípedes Júnior. No dia 3 de agosto, outra decisão reverteu a anterior, e devolveu o partido para Holanda. Por fim, o ministro Ricardo Lewandowski, do TSE, devolveu o partido para Eurípedes com quem permanece até agora.
O problema é que no tempo em que esteve no comando da sigla Osvaldo encaminhou à Justiça Eleitoral o edital da convenção do Pros que seria realizada no dia 5 de agosto. Edward, no entanto, adiantou a convenção para o dia 4 e anunciou o apoio a Henrique Oliveira, contrariando o acerto anterior do partido que se declarava base para Amazonino Mendes.
“O estatuto do Pros é maior do que qualquer presidente. O artigo 13 diz que qualquer convenção precisa ter o edital enviado com 10 dias de antecedência. Isso é só para causar confusão e insegurança”, acusou Osvaldo.
“Não procede. A presidência nacional definiu assim. Isso é definitivo. O presidente foi reconduzido [ao cargo] na sexta-feira passada. Não tinha tempo pra se cumprir o estatuto do partido. Foi feito dentro da conformidade do que a lei determina”, garantiu Edward.
Várias frentes
O especialista em marketing político, Rômulo Ribeiro enfatiza que o trabalho proposto pela campanha eleitoral deve ser composto por várias frentes: rádio e televisão, redes sociais, grupos de amigos, o contato olho no olho e claro, boas propostas.
“É óbvio que ter tempo de televisão beneficia muito que pode ficar mais tempo no ar, mas não é somente isso. A espontaneidade dos candidatos também é fator decisivo. Os eleitores não se rendem mais aos discursos formais e carregados de palavras de efeito. O eleitor está de olhos e ouvidos mais abertos e não tolera mais ser enganado. Penso que é uma das maneiras mais fáceis de o eleitor ter contato com o candidato, e portanto, de fundamental importância para ajudar o eleitor a decidir. Mas penso também que não somente a propaganda na televisão deva ser o meio de avaliação para a escolha do candidato. Hoje temos na internet, uma ferramenta rápida, fácil e poderosa que pode ajudar nessa definição”, disse.