Preço, quantidade, o prazo de fornecimento e até a fonte da energia podem sernegociados
((Foto: Divulgação))
O que seria uma grande novidade - e de um ponto de vista democrático, extremamente revolucionária - já é uma realidade para diversos países de primeiro mundo. A portabilidade de energia elétrica nada mais é que a possibilidade do consumidor médio escolher qual tipo de energia, concessionária e além de tudo, ainda incentiva o uso de energia renovável.
Com essa iniciativa, estuda-se a adoção desse modelo de consumo por todos os cidadãos brasileiros. A consequência seria o empoderamento dos consumidores e, assim, maior competitividade entre as empresas de energia, levando à redução de preço e aprimoramento na qualidade do serviço.
Segundo Alexandre Lopes, vice-presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), o assunto já é discutido no Brasil há muitos anos e traz grandes vantagens para o bolso do consumidor. “A energia, em vez de ficar presa em uma única empresa, fica mais centralizada e não dá o direito de escolha ao consumidor. Com a compra livre, o custo pode ficar muito mais em conta. Essa já é uma luta e nossa bandeira há anos e vem se tornando uma tendência e necessidade aqui no Brasil”, enfatiza.
Nos últimos 10 anos, o número de clientes que escolhem seu fornecedor de energia no Brasil cresceu aproximadamente sete vezes, segundo dados da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica). Contudo, esse número ainda representa menos de 0,01% das unidades consumidoras de energia de todo o país. Quando comparada com outros países, a liberdade de escolha no setor elétrico brasileiro é menor que de outros 54 países, como Portugal, Inglaterra, Alemanha, França, Chile, Colômbia, Uruguai, Argentina, Peru, El Salvador, Guatemala e diversos estados da Austrália e Estados Unidos.
Acessibilidade
Enquanto o Brasil fica cada vez mais para trás nessa luta em busca da democratização ao acesso à energia elétrica, que vem passando por um momento de extrema instabilidade devido à crise hídrica acometida este ano em que o Brasil enfrenta a pior crise hídrica em 91 anos de monitoramento das bacias hidrográficas do país, de acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico.
As soluções apresentadas pelo governo para a crise de energia, até o momento, envolvem investimento em termelétricas, aumento da bandeira tarifária, o que gera o aumento na conta de luz. Enquanto isso, de outro lado, a fome e o alto preço dos alimentos devido à inflação dos produtos desgasta cada vez mais o cidadão-médio que mal consegue pagar suas contas.
Destaque
Pra especialista, com o mercado livre não há a probabilidade da formação de cartéis que monopolizam o preço da energia porque há um grande polo de empresas, que distribuem diferentes fontes e com interesses diferentes. Hoje, o mercado livre é restrito a grandes consumidores, como indústrias e shopping centers. 2022 será um período de muita movimentação para o futuro do mercado livre no Brasil desde seus primeiros dias