O tratamento destes transtornos mentais também devem ser expandidos para além dos medicamentos anti-depressivos
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Humor depressivo, perda de apetite, falta de energia e insônia são sintomas muito comuns da depressão. Problema médico grave e altamente predominante em parte da população brasileira. De acordo com estudo epidemiológico, a prevalência de depressão ao longo da vida, no Brasil, está em torno de 15,5% e segundo a Organização Mundial da Saúde - OMS, a prevalência de depressão na rede de atenção primária de saúde é 10,4%, isoladamente ou associada a um transtorno físico.
Hoje em dia, a medicina entende que os transtornos psiquiátricos, como depressão, são multifatoriais, ou seja, podem apresentar mais de uma causa, seja biológica, social, comportamental, entre outras. Logo, entende-se que o tratamento destes transtornos também devem ser expandidos para além dos medicamentos anti-depressivos. Um novo estudo, publicado no periódico médico The British Medical Journal - BMJ, revelou que a prática de atividade física regular pode ajudar a reduzir sintomas da depressão. De acordo com a pesquisa, atividades como musculação, corrida, dança e hiit se mostraram ser os exercícios mais eficazes no alívio de sintomas de depressão.
Outro estudo, da Universidade da Austrália Meridional, finalizado em fevereiro de 2023, concluiu que a influência da prática de atividades físicas no tratamento e na prevenção de doenças como a ansiedade e a depressão são mais eficazes que os próprios medicamentos. Segundo os cientistas, praticar exercícios é até 50% mais eficaz do que os efeitos da medicação prescrita por médicos no combate à depressão. Com base em dados de pelo menos mil testes, com mais de 120 mil pessoas, os pesquisadores atestaram que a prática de exercícios por até 12 semanas foi o remédio mais eficiente dentre todos os analisados para o combate a essas doenças.
É por isso que a OMS passou a recomendar dieta e exercícios físicos como parte do tratamento da depressão e ansiedade, pois a atividade física é um ansiolítico natural. Segundo a psicóloga Lorena Barbosa, especialista em saúde mental, álcool e outras drogas, a prática de atividade física resulta em equilíbrio químico cerebral que acaba por reduzir os sintomas de depressão. “Quando feito de forma regular, o exercício físico se torna um tratamento eficaz, pois o corpo libera substâncias chamadas ‘endorfinas’, que interagem com os receptores no cérebro e reduzem a percepção de dor, atuando como analgésico. A sensação de euforia após a conclusão do treino de musculação, de uma corrida, da prática do exercício em si, por exemplo, pode fazer com que a pessoa que pratica a atividade física tenha uma perspectiva mais enérgica da vida, com sensação de produtividade e aumento da autoestima”, destacou a psicóloga.
Psicóloga Lorena Barbosa, especialista em saúde mental, álcool e outras drogas
Ainda de acordo com Barbosa, os exercícios físicos são indispensáveis para a saúde de modo geral, independente da presença de transtorno mental. “Penso que, independente da presença de algum transtorno mental, para ter uma vida saudável, é necessário praticar atividades físicas regulares, justamente para que se tenha a produção da sensação de bem estar, desenvolvimento da autoestima e rotina estabelecida. Eu não vivo sem, penso que o bem que faz para o meu corpo é apenas uma consequência que eu gosto de ter, mas o bem que faz pra minha mente é o maior objetivo”, finalizou a psicóloga, que pratica musculação há três anos.
Embora uma atividade física leve, como caminhada e ioga proporcione efeitos clinicamente significativos, a pesquisa da Universidade australiana destacou, ainda, que a intensidade da atividade física realizada influencia diretamente na qualidade do alívio dos sintomas de depressão, pois os benefícios observados foram maiores para exercícios vigorosos, como corrida e treinamento intervalado, como musculação. “Nossas descobertas apoiam a inclusão do exercício como parte das diretrizes de prática clínica para a depressão, particularmente exercícios de intensidade vigorosa”, afirmam os pesquisadores. Um dos motivos por trás desse efeito pode ser o fato de o exercício intenso produzirem níveis mais elevados de endorfinas [hormônios do bem-estar que reduzem a dor] e demonstraram aliviar os sintomas da depressão.
De acordo com o profissional de educação física, Jander Pinheiro, para pessoas que estão começando a ter uma vida mais ativa, é importante se exercitar com algo que seja prazeroso para você. “O primeiro passo é procurar um médico para avaliar sua condição corporal, em seguida consulte um profissional de educação física que irá te auxiliar, a partir da avaliação médica, na escolha do exercício mais indicado para você e a frequência que deve ser realizado, devendo considerar uma atividade que você goste, tenha afinidade e que seja agradável”, pontuou o personal trainer.
(Foto: Arquivo Pessoal)
Pegou o código, frangolino? Não tem mistério não. A química cerebral ficou zoada? Conserta ela gerando novas químicas que vão equilibrar sua cabecinha. Eu sei que o primeiro passo é sempre o mais difícil. Às vezes não dá nem vontade de sair da cama. Tem o desânimo, a preguiça, aí tudo se mistura e a gente acaba procrastinando o treinamento. Mas faz um teste. Mete um banho gelado, calça um tênis e realiza aquela aula experimental na academia. Chame um amigo para ir com você, pois nessa jornada fica mais fácil dividir as cargas da vida (e isso não serve só para academia). Chegando na academia, procure a recepção e conte sua história. Fale que quer começar a treinar e certamente eles vão te indicar um professor para te acompanhar. Depois de um tempo, os resultados virão e te tornarão mais fortes do que nunca (e desta vez não tô falando só de músculo). Se cuide!