A guerra Rússia-Ucrânia acaba de completar um mês e suas consequências já são sentidas em todas as partes do planeta
(Foto: Aris Messines/AFP)
A guerra Rússia-Ucrânia acaba de completar um mês e suas consequências já são sentidas em todas as partes do planeta. Ninguém, nem mesmo o presidente russo Vladimir Putin, esperava que o confronto se estendesse por tanto tempo. Além da tragédia em si, com um número desconhecido de mortos, pelo menos sete milhões de pessoas deslocadas dentro do próprio país e quase quatro milhões que buscaram abrigo em outros países, a guerra tem empobrecido ainda mais populações já fragilizadas economicamente em todo o mundo, principalmente por causa do impacto que tem causado sobre o preço do petróleo e, por extensão, dos combustíveis.
A inflação tem se alastrado em escala global e compromete sobremaneira a recuperação de economias já devastadas pelos efeitos da pandemia de covid-19 nos últimos dois anos.
No Brasil, não é diferente. A população inteira sofre os efeitos da alta nos preços dos combustíveis, que se reflete em praticamente todos os ramos da economia, causando uma espiral inflacionária nunca vista desde a implementação do Plano Real em meados da década de 1990. Pela primeira vez em décadas, o País vive o risco concreto de perda da estabilidade econômica conquistada a duras penas.
O fato é que, quanto mais a guerra se estende, maiores são os efeitos nefastos para todo o mundo. A resistência ucraniana deixa o Kremlin em uma sinuca de bico: é óbvio que a Rússia tem poder de fogo para tomar o país, mas isso não ocorreria sem uma chacina como há muito tempo não se vê, o que certamente teria consequências sérias para o governo de Putin, que já foi longe demais e não admite recuar. Mas a Ucrânia não se rende, e o impasse permanece.
Infelizmente, ainda não há qualquer expectativa de encerramento do conflito, que se caracteriza por ter apenas um lado agressor. Os ucranianos tentam se defender do jeito que podem, mas as regiões fronteiriças orientais, principais alvos de ataques, estão destruídas e tomadas por tropas russas. O mundo tem reagido – sobretudo por meio de sanções econômicas que já fazem da Rússia o país mais sancionado da Terra – mas o temor de que o conflito assuma contornos internacionais mantém os embargos contra Putin na esfera econômica. Os próximos capítulos da guerra serão decisivos. Até lá, as economias seguem se deteriorando.