Você já ouviu falar em wagyu? De sabor incomparável, a carne super macia provém de um boi japonês criado à base de massagem, passeios e uma dieta própria
(Foto: Jeiza Russo/A Crítica)
Com um sabor único, maciez inigualável, textura diferente de todas outras carnes, o Wagyu derrete na boca com uma simples mordida. Se tornou o boi mais desejado do mundo por seu apelo gastronômico e sua história cultural. Ele é, literalmente, a carne do Japão (o ‘Wa’ significa Japão e ‘gyu' significa carne).
A produção teve início na terra do sol nascente e também em outros países asiáticos a partir da década de 70 com o cruzamento de diversas raças bovinas. Atualmente, existem apenas quatro raças, como o Japanese Brown, Japanese Shorthorn, Japanese Polled e, o mais conhecido, o Japanese Black (que corresponde a 90% do gado criado no país). Dentro de cada uma, estão os pedigrees, que englobam uma série de exigências.
Quem já ouviu falar sobre o Wagyu, sabe que o gado passa por uma série de cuidados. Há um método próprio de alimentação, com uma combinação rica em nutrientes. A dieta do animal possui milho, soja, trigo e palha de arroz. Além de passeios e massagens que fazem parte do dia a dia dos animais. Tudo isso para evitar estresse e o endurecimento da carne.
Combinações
Além de saboroso, o Wagyu é versátil. É possível realizar uma variedade de pratos típicos japoneses a partir dele. Quando grelhado, exala um cheiro característico como de uma fruta doce. O aroma surge quando a carne é aquecida a 100 graus, ideal para Shabu-Shabu, uma técnica japonesa.
O Wagyu pode estar presente em todo menu do seu jantar, desde a entrada ao prato final, passando pela salada, o cozido e o prato principal. Algumas opções de preparo são: sanduíche de Wagyu à Milanesa, acompanhado de camarões marinhos e salmão defumado com palmito; steak de wagyu; e sushi de wagyu acompanhado de sopa de missô.
Para deixar ainda mais saborosa a refeição, os pratos podem ser acompanhados por um bom vinho ou saquê.
Principais diferenças
Apesar do Japão ser o pioneiro na produção, há uma queda nas exportações por conta da concorrência internacional, sendo a maior produtora a Austrália (50%), seguida pelos Estados Unidos (45%) e o Japão (5%).
O Cônsul-Geral do Japão em Manaus, Masahiro Ogino, explica que embora outros países produzam a carne, a forma de preparo do gado é diferente, além do significado do nome ‘Wagyu’ ser exclusivo do Japão.
Para ele, a principal diferença, além do sabor, é que os gados criados no Japão possuem a Lei de Rastreabilidade, ou seja, recebem uma identificação na orelha com um número individual, possibilitando segurança alimentar.
Outro ponto fundamental para diferenciar a carne original japonesa das outras é o marmoreio, ou seja, a quantidade de gordura existente entre as fibras de carne que mudam para melhor seu sabor, aroma e textura.
Arroz japonês
Outro alimento super famoso no Japão é o arroz. Principal comida do país, apesar de comum, ainda não é vendida no Brasil. Vale ressaltar que há uma variedade enorme de arroz oriental, como o japonica (grão curto e médio, consumido no dia a dia dos japoneses). Ao todo, há mais de 440 tipos, os mais famosos são: koshihikari, akitakomachi e sasanishiki.
Existe também o indica (grão longo), muito consumido na Índia, Tailândia, Vietnã e Estados Unidos. Outro exemplo é o Javanica (grão grande), consumido na Indonésia.
Uma curiosidade é que o arroz japonês não serve apenas como alimento, mas também compõe bebidas, temperos, doces, salgados e cosméticos.
Segundo a analista de comércio exterior da Japan External Trade Organization (JETRO), Elina Kawaguchi o grande segredo para fazer um arroz espetacular é ao ferver e secar, cortar o arroz em camadas, isso faz com que o arroz fique mais encorpado e mais saboroso.
Comercialização
O Wagyu e o Arroz Japonês foram apresentados ao Presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em Manaus, Rodrigo Zamperlini, e a empresários do ramo gastronômico da capital amazonense, em um jantar organizado pelo Consulado-Geral do Japão em Manaus e pela Japan External Trade Organization (JETRO).
Durante o evento, os representantes discutiram a possibilidade de realizar a comercialização de ambos alimentos no Brasil, especialmente no Amazonas, onde encontrar esses alimentos é particularmente difícil.