Durante audiência pública que discute a implantação de um campus da universidade no município, lideranças questionaram a organização do evento
(Manifestantes deixaram a audiência pública (Foto: Vitor Gavirati))
O início da audiência pública sobre a implantação de um campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em São Gabriel da Cachoeira foi marcado por protestos. Na manhã desta quinta-feira (30), alunos, egressos e professores dos cursos de Licenciatura Indígena da Ufam que funcionam no município se levantaram das cadeiras em que estavam e deixaram o Ginásio Arnaldo Coimbra durante a audiência. A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) apresentou uma carta de repúdio à forma com que a programação do evento foi organizada.
“O motivo primeiro de nosso repúdio deve-se à contradição demonstrada na sua programação, uma vez que exclui por completo a já existente proposta de criação do Campus Universitário discutida há anos, pela própria UFAM, com a participação de professores, estudantes, diretores de escolas, lideranças indígenas, instituições governamentais e não governamentais (...)”, diz trecho da carta de repúdio.
Segundo a Pró-reitoria de Extensão da Ufam, que representa a universidade durante a audiência, o projeto citado pela Foirn será contemplado na implantação do campus no município.
Queixa sobre a programação
Segundo a professora da Licenciatura Indígena da Ufam, IvanirFereira, a programação da audiência pública para discutir a implantação do campus da universidade em São Gabriel da Cachoeira não foi discutida com a população do município e as lideranças indígenas.
“Como se faz uma audiência pública sem se discutir a pauta? O foco da audiência é a instalação do campus da Ufam em São Gabriel da Cachoeira.A pauta que está sendo discutida em nada fala sobre a construção do campus”, reclama a professora.
Uma série de palestras sobre empreendedorismo, exploração de minérios e desenvolvimento regional autossustentável estava na programação da audiência.
Como sugestão da Pró-reitoria de Extensão da Ufam para a implantação do campus estão os cursos de Antropologia Indígena, Engenharia Ambiental, Engenharia Florestal, Piscicultura, Ciências Agrárias e Turismo. Pensados de acordo com as características demográficas e o potencial de extração de minérioda região.
O pró-reitor de Extensão da Ufam, professor Ricardo Bessa, afirmou durante a audiência que o evento, que termina nesta sexta-feira (01) serve para ouvir a população da cidade a respeito da implantação do campus. “Nós não queremos impor algo. Essa audiência é consultiva, não impositiva. Se a população não quiser a implantação do campus, por exemplo, não vai haver”, afirmou.
*O repórter viajou a convite da Ufam